Governador do Pará promete almoçar com jornalistas uma vez por mês



O governador Helder Barbalho julga que inventou a roda (ou descobriu a pólvora) do bom relacionamento com a imprensa: vai se reunir com jornalistas uma vez por mês. Será num almoço informal, o primeiro deles realizado na semana passada, incluindo o pessoal dos blogs e sites. Mesmo que, contrariando a regra do "começa e não continua" de alguns antecessores, ele cumpra o compromisso assumido, essa reinvenção poderá ser boa para ele, que faz amigos e influencia pessoas, mas não para a imprensa - muito menos para o distinto público.

Pelo menos para mim, que há muito tempo não participo desses ditos eventos (nem para eles sou convidado, é claro), juntar almoço com entrevista coletiva é indigesto. A descontração da autoridade implica o relaxamento do jornalista. Todos sabem que ninguém convoca a imprensa para reconhecer erros ou entregar informações inconvenientes. Cabe ao repórter fazer a autoridade dizer o que deve e não apenas o que quer dizer. Descontração prejudica o exercício dessa função crítica. Desvia o profissional da sua missão, enquanto abre uma via de acesso à autoridade que acaba por minar a sua independência e imparcialidade.

Ao invés de dar comida aos jornalistas, o governador deveria presenteá-los com o que interessa: informações. O clima informal que ajuda é a disposição de sua excelência de ouvir críticas, responder a questionamentos e ser sincera na prestação de contas ao profissional que só pode se apresentar nessa condição como auditor do poder em nome da sociedade - e não como conviva.

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Numa reunião com esse propósito, o governador Helder Barbalho poderia apresentar os seguintes quitutes:

1 - Relação nominal de todos os assessores que já nomeou para o seu gabinete.

2 - Listagem dos 180 policiais militares retirados de funções administrativas devolvidos à tropa.

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3 - A íntegra das estatísticas criminais do mês de janeiro.

4 - Apresentação detalhada do déficit fiscal de 1,5 bilhão de reais que a administração anterior teria deixado.

Com esses ingredientes, se o banquete ainda não é lauto, a entrada é excelente.

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LÚCIO FLÁVIO PINTO
Belém (PA)

 

 



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