
O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Carnaval do Rio de Janeiro, se transformou em foco de uma intensa polêmica política e religiosa nesta semana. A apresentação na Marquês de Sapucaí, no último domingo (15/02/2026), incluiu uma ala intitulada “Neoconservadores em conserva” — com fantasias representando latas e símbolos associados a grupos conservadores e religiosos — e provocou forte reação de entidades civis e líderes religiosos.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ) divulgou nota oficial na terça-feira (17), na qual repudiou a alegoria e classificou a apresentação como ato de intolerância religiosa. Para a entidade, a peça artística ultrapassou os limites da manifestação cultural ao retratar de forma depreciativa grupos vinculados à fé cristã e à família tradicional, configurando “preconceito religioso dirigido aos cristãos”. A OAB-RJ enfatizou que a liberdade religiosa é um direito fundamental garantido pela Constituição e tratados internacionais, e que qualquer conduta que implique discriminação por motivo de crença representa afronta à ordem constitucional brasileira.
No mesmo contexto, a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, responsável pela representação católica no estado, emitiu um comunicado criticando o uso de símbolos da fé cristã em manifestações culturais de maneira considerada “ofensiva”. Embora a nota não tenha citado explicitamente a Acadêmicos de Niterói, a reação foi interpretada como resposta ao desfile, que associou representações religiosas e da família tradicional a uma sátira política. A Arquidiocese ressaltou que, embora reconheça a cultura popular como expressão legítima da identidade brasileira, é essencial que essas manifestações respeitem convicções religiosas profundas e valores sociais fundamentais.
Além das posições institucionais, parlamentares de oposição anunciaram que vão acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Ministério Público do Rio de Janeiro para investigar o caso, apontando possíveis crimes de preconceito religioso e de propaganda política antecipada no Carnaval — o que fere, segundo eles, a legislação eleitoral vigente. O deputado Nikolas Ferreira disse que vai protocolar representação no MP contra a escola de samba, argumentando que a Constituição garante a liberdade de crença e que a discriminação religiosa é crime sob a Lei 7.716/89.
No debate público que se seguiu, a polêmica tomou contornos mais amplos. Defensores da escola negam que tenha havido intolerância e classificam as críticas como politicização indevida de um espetáculo cultural tradicional. Já críticos afirmam que o episódio expõe tensões entre expressão artística, respeito às crenças e limites da sátira em eventos de grande visibilidade.
O caso segue repercutindo nos meios jurídicos, religiosos e políticos, alimentando discussões sobre os limites entre arte, religião e política no Brasil e sobre o respeito à diversidade de crenças em espaços públicos e culturais.
Fonte: noticiastudoaqui.com