
A Câmara Municipal de Porto Velho aprovou a toque de caixa um pacote de 14 projetos de lei complementares de autoria do Executivo, disfarçados sob a bandeira da "valorização salarial". A medida expõe o avanço desenfreado da "indústria dos penduricalhos" na folha de pagamento do funcionalismo: um mecanismo financeiro onde criam-se auxílios, abonos e gratificações temporárias para, no passo seguinte, incorporá-los em definitivo aos salários, garantindo reajustes indiretos contínuos que ultrapassam o teto constitucional do funcionalismo.
O pacote aprovado pelos vereadores beneficia uma série de categorias municipais com cifras significativas pagas pelos cofres públicos. Para a área da saúde, foi instituído o Auxílio de Incentivo à Enfermagem, com adicionais de R$ 500 e R$ 700. Os profissionais de odontologia ganharam gratificações que variam de R$ 300 a R$ 500. No setor de serviços urbanos, garis tiveram gratificações de R$ 750 definitivamente incorporadas ao vencimento básico para inflar as futuras aposentadorias, enquanto servidores da limpeza pesada (roçadores e manutenção) receberão mais R$ 450 extras. Para completar, o Auxílio de Atividades Específicas, que atende vigilantes, secretários de escolas e agentes ambientais, foi reajustado de R$ 300 para R$ 400 mensais.
O outro lado
Enquanto a elite do funcionalismo municipal assegura gratificações automáticas e blindadas, o trabalhador do setor privado vive a realidade do endividamento e da inadimplência crônica. Sem direito a qualquer tipo de ajuda de custo, a massa trabalhadora que mantém a economia ativa amarga baixos ganhos que são corroídos dia a dia pela inflação persistente e pelas taxas de juros elevadas.
Além de aprofundar o abismo social sustentado por quem paga impostos, a liberação intempestiva de tantas bondades orçamentárias às vésperas de pleitos eleitorais acende o alerta para o uso da máquina pública como mecanismo explícito de campanha antecipada.
Fonte: noticiastudoaqui.com