Com sinais de perdas de apoio e desgaste, PSD confirma Fúria candidato ao governo de Rondônia em convenção



Com sinais de perdas de apoio e desgaste, PSD confirma Fúria candidato ao governo de Rondônia em convenção

Redação, Porto Velho RO, 29 de julho de 2026 - A oficialização da candidatura do ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria (PSD), ao Governo de Rondônia marca o início formal de sua caminhada eleitoral. A grande convenção partidária consolida seu nome na disputa e reunirá lideranças políticas do PSD e de partidos aliados.
Entretanto, apesar da demonstração de força que o evento possa apresentar, os primeiros movimentos da campanha revelam um cenário político mais complexo do que o esperado, marcado por sinais de desgaste em sua principal base eleitoral e por um aparente distanciamento do governador Coronel Marcos Rocha (PSD), seu maior padrinho político na capital.

Fúria surgiu no cenário estadual impulsionado justamente pelo apoio de Marcos Rocha, que chegou a apresentá-lo como seu sucessor político e principal aposta para a continuidade do projeto administrativo iniciado em 2019. A aliança entre ambos foi decisiva para projetar o então prefeito de Cacoal como um dos principais nomes da sucessão estadual.

No entanto, nas últimas semanas, observadores da cena política passaram a identificar mudanças no comportamento da campanha. Em aparições públicas e entrevistas, Fúria passou a adotar um discurso considerado mais independente em relação ao atual governo, evitando vincular sua imagem à administração estadual com a mesma intensidade observada no início da pré-campanha. Esse movimento gerou desconforto dentro do núcleo político do governador, que reagiu reforçando sua influência direta na organização da campanha do candidato.

Os bastidores revelados por veículos locais indicam que Marcos Rocha determinou uma participação mais ativa de integrantes de sua equipe na coordenação política da candidatura. A primeira-dama Luana Rocha, o chefe da Casa Civil, Elias Rezende, e o secretário estadual de Educação, Massud Badra, assumiram posições estratégicas na campanha após um processo de negociações descrito como tenso, evidenciando divergências internas sobre a condução do projeto eleitoral.

Enquanto enfrenta desafios para manter alinhado o grupo estadual, Fúria também vê crescer dificuldades justamente em Cacoal, município onde construiu sua trajetória política e consolidou sua principal vitrine administrativa.

Desde sua renúncia à Prefeitura para disputar o Governo de Rondônia, o comando do Executivo municipal passou para o vice-prefeito Tony Pablo. A expectativa era de continuidade política e administrativa, mas o cenário evoluiu em direção oposta. Tony Pablo passou a demonstrar independência em relação ao ex-prefeito e, segundo relatos públicos e manifestações políticas, não integra o grupo de apoiadores da candidatura de Fúria ao Governo do Estado.

Além da ausência de apoio político, o atual prefeito tem feito declarações apontando supostas irregularidades e condutas consideradas impróprias ocorridas durante a administração anterior, ampliando o desgaste do ex-prefeito justamente em seu principal reduto eleitoral. As críticas públicas alimentam um ambiente de ruptura política em Cacoal e oferecem munição aos adversários durante a campanha.

Esse quadro representa um desafio estratégico para Fúria. Historicamente, candidatos ao Governo costumam depender de votações expressivas em seus municípios de origem para impulsionar suas campanhas em âmbito estadual. Eventuais divisões internas ou perda de apoio local podem reduzir esse potencial de transferência de votos e enfraquecer a narrativa de unidade política construída ao longo dos últimos anos.

Apesar das turbulências, a convenção partidária confirmará oficialmente sua candidatura e apresentará a chapa que disputará o Palácio Rio Madeira, abrindo uma nova fase da corrida eleitoral. O PSD aposta na experiência administrativa do ex-prefeito e na estrutura partidária construída pelo governador Marcos Rocha ao longo de seus dois mandatos.

Contudo, os primeiros dias da campanha indicam que Fúria precisará superar desafios que vão além da disputa com os demais candidatos. A necessidade de recompor relações políticas, reduzir ruídos com seu principal aliado estadual e enfrentar críticas oriundas de sua própria base em Cacoal poderá ser determinante para manter competitiva uma candidatura que nasceu como uma das favoritas, mas que inicia oficialmente sua trajetória cercada por questionamentos sobre sua capacidade de preservar a unidade do grupo político que a projetou.

Fonte: noticiastudoaqui.com



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