
A Polícia Civil de Rondônia deflagrou nesta sexta-feira (14) a Operação Escudo de Cinzas – Fase Hevea, uma ofensiva contra uma organização criminosa investigada por atuar simultaneamente em crimes ambientais e comércio ilegal de armas de fogo na região da Unidade de Conservação Estadual Serra dos Reis, em São Francisco do Guaporé. A ação foi conduzida pela 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco2), em conjunto com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e o Ministério Público.
A operação teve como alvo investigados apontados como integrantes de uma estrutura criminosa envolvida na extração ilegal de madeira nativa, comercialização irregular de produtos florestais e tráfico de armas de fogo. As investigações identificaram, segundo a Polícia Civil, a existência de duas frentes de atuação que funcionavam de maneira simultânea: uma voltada à exploração clandestina dos recursos naturais e outra relacionada à comercialização ilegal de armamentos.
Durante a ofensiva, duas pessoas foram presas preventivamente, apontadas pelas autoridades como líderes das respectivas frentes criminosas investigadas. Além das prisões, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em sete endereços localizados nos municípios de São Francisco do Guaporé e Costa Marques, ampliando o alcance da operação e permitindo aos investigadores recolher elementos que possam ajudar a esclarecer a estrutura e o funcionamento do grupo.
Outros seis investigados foram submetidos a medidas cautelares diversas da prisão. Entre as determinações está a proibição de acesso à Unidade de Conservação Estadual Serra dos Reis e a suspensão das atividades de extração e comercialização de produtos florestais sem o devido licenciamento ambiental.
A investigação chama atenção porque une dois problemas de grande impacto na região amazônica: a devastação ambiental e o fortalecimento de atividades criminosas relacionadas a armas de fogo. A suspeita é de que os envolvidos tenham utilizado a estrutura ilegal de exploração de madeira como parte de uma atividade organizada, enquanto também mantinham negócios clandestinos envolvendo armamentos.
A atuação em uma unidade de conservação aumenta a gravidade do cenário investigado, já que áreas protegidas possuem regras específicas destinadas à preservação dos recursos naturais. A exploração ilegal de madeira nessas regiões representa ameaça direta à floresta, à biodiversidade e à própria finalidade de proteção estabelecida para esses territórios.
A ofensiva contou ainda com equipes da Delegacia Regional de São Miguel do Guaporé, 1ª Delegacia de Polícia de Ouro Preto do Oeste, Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e Batalhão de Polícia Ambiental (BPA). A integração entre os órgãos permitiu reunir conhecimento especializado tanto na repressão ao crime organizado quanto na fiscalização e proteção ambiental.
A participação da Sedam e do Ministério Público também demonstra que a operação não se restringe à responsabilização criminal dos investigados. As medidas adotadas buscam interromper atividades econômicas realizadas sem autorização ambiental e impedir que a exploração irregular continue causando danos à área protegida.
O nome Escudo de Cinzas faz referência à destruição provocada pela exploração predatória da floresta e simboliza a resposta das forças de segurança diante de atividades que, segundo a investigação, ameaçam simultaneamente o patrimônio ambiental e a segurança pública.
A Polícia Civil informou que a ofensiva faz parte de uma estratégia de enfrentamento a organizações criminosas que atuam em diferentes frentes. Nesse contexto, combater a extração ilegal de madeira e o comércio clandestino de armas significa atingir estruturas que podem gerar recursos financeiros para grupos criminosos e ampliar sua capacidade de atuação.
A operação também reforça a necessidade de fiscalização permanente nas áreas de conservação de Rondônia. A presença de atividades clandestinas de extração de madeira pode provocar danos que ultrapassam o aspecto econômico, atingindo nascentes, fauna, flora e a integridade de grandes áreas de floresta.
Com as prisões, buscas e medidas cautelares, as autoridades agora deverão aprofundar a análise do material eventualmente apreendido para identificar outros integrantes, possíveis compradores ou intermediários e a extensão das atividades atribuídas à organização.
A Polícia Civil reafirmou o compromisso de combater ações que ameaçam os ecossistemas amazônicos e a segurança da população, destacando que a proteção ambiental e o enfrentamento ao crime organizado são frentes que precisam atuar de forma integrada.
Os presos e demais investigados são tratados como suspeitos e terão direito à ampla defesa e ao contraditório no decorrer das investigações e do processo judicial. A Operação Escudo de Cinzas representa, nesta primeira fase, uma ofensiva para interromper a exploração ilegal de madeira, combater o comércio clandestino de armas e atingir a estrutura de uma organização criminosa que atuava em uma área de conservação de Rondônia.
Fonte: noticiastudoaqui.com