Entidades acionam Justiça contra regras discriminatórias na seleção de agentes de saúde de Vilhena



Entidades acionam Justiça contra  regras discriminatórias na seleção de agentes de saúde de Vilhena

Redação, Porto Velho RO, 26 de agosto de 2026 - O Centro de Defesa de Direitos Humanos da Criança e do Adolescente Maria dos Anjos (CEDECA/RO) e o Instituto Banzeiro da Amazônia ingressaram com uma ação civil pública contra o Município de Vilhena e o Instituto Brasileiro de Gestão e Pesquisa (IBGP), responsável pela organização do processo seletivo para contratação de agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. A ação questiona diversas regras do Edital nº 02/2026, publicado em 24 de agosto.

O principal ponto de controvérsia é a exigência de exames para HIV, hepatites B e C e sífilis na etapa admissional. Segundo as entidades, o edital determina que os próprios candidatos arquem com os exames e apresentem os resultados de testes como Anti-HIV 1 e 2, Anti-HBc, Anti-HBs, Anti-HCV e VDRL. Para os autores da ação, não foi demonstrada relação entre os resultados dos exames e a capacidade dos candidatos para exercer as funções.

A ação também contesta a exigência de declaração de que o candidato não possui “moléstia preexistente”, considerada pelas entidades uma expressão ampla que poderia atingir pessoas com doenças crônicas, deficiência ou outras condições de saúde que não necessariamente comprometam o desempenho profissional.

O processo seletivo oferece 30 vagas imediatas, sendo 20 para agentes comunitários de saúde e dez para agentes de combate às endemias, além de cadastro reserva. A remuneração prevista é de R$ 3.242 para jornada de 40 horas semanais. As entidades não pedem inicialmente o cancelamento da seleção, mas a correção das cláusulas questionadas para que o certame possa prosseguir.

Outro ponto levantado é a reserva de vagas para pessoas com deficiência. Embora o edital estabeleça percentual de 5%, a ação sustenta que a divisão das vagas dos agentes comunitários por áreas geográficas poderia dificultar a efetivação da política afirmativa. Também é questionada a exigência de Registro de Qualificação de Especialista (RQE) no laudo médico.

As organizações ainda apontam a ausência de cota racial no novo edital. Segundo a ação, o próprio Município de Vilhena havia adotado reserva de 20% para candidatos negros em outro processo seletivo realizado em março deste ano, mas a medida não foi repetida no certame atual. As entidades pedem que a reserva seja incorporada ao processo.

A ação questiona também a regra que restringe a isenção da taxa de inscrição de R$ 90 para desempregados. Pelo edital, além de estar desempregado há pelo menos um ano, o candidato precisa ter 45 anos ou mais. Para as entidades, a exigência cria uma diferenciação injustificada entre pessoas que estão na mesma situação econômica.

Outro aspecto considerado relevante é o custo dos exames admissionais. A ação estima que a bateria de exames possa chegar a aproximadamente R$ 1,2 mil por candidato, defendendo que os custos necessários à admissão não sejam transferidos aos trabalhadores.

As entidades também questionam a estrutura do certame, que inicialmente apresenta a prova objetiva como única etapa, mas posteriormente prevê um Curso de Formação Inicial de 40 horas com caráter eliminatório. A ação afirma que os critérios de avaliação e aproveitamento precisam ser definidos de forma clara e previamente divulgados.

Entre os pedidos apresentados à Justiça estão a retirada dos testes de HIV, hepatites e sífilis, exclusão da declaração sobre “moléstia preexistente”, revisão da reserva de vagas para pessoas com deficiência, criação de cota racial, retirada do limite de 45 anos para isenção da taxa e definição clara dos critérios do curso de formação.

As organizações também solicitam multa diária de R$ 10 mil para o Município e R$ 5 mil para o IBGP em caso de descumprimento de eventual decisão judicial, além de R$ 250 mil por dano moral coletivo.

Por enquanto, os pedidos representam a posição das entidades autoras e ainda não constituem decisão definitiva da Justiça. O Município de Vilhena e o IBGP terão oportunidade de apresentar suas justificativas, enquanto o processo deverá ser analisado pelo Poder Judiciário.

A controvérsia coloca em debate os limites das exigências médicas em processos de contratação pública e a necessidade de garantir que condições de saúde, deficiência, idade, raça ou situação econômica não sejam utilizadas como barreiras indevidas ao acesso ao emprego.

Fonte: noticiastudoaqui.com



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