O silêncio oficial sobre a violência doméstica em Rondônia




É comum, no dia 8 de março, autoridades, políticos e dirigentes públicos destacarem a trajetória individual de uma ou outra figura do gênero feminino que deixou o seu legado no mercado de trabalho e granjeou, por isso mesmo, o respeito da sociedade. É justo que assim aconteça. Afinal, além do natural reconhecimento ao mérito, dá-se, também, visibilidade a propostas de vida cujo sucesso pode inspirar milhares de outras mulheres que, infelizmente, ainda são discriminadas e oprimidas no país da impunidade.

Mas a realidade é preocupante. Recentemente, o jornal Expressão Rondônia trouxe farto material jornalístico revelando um dos quadros mais cruéis da sociedade sobre a violência a que mulheres são submetidas, principalmente dentro de casa. Os números apontados na matéria são expressivos e indicam duas situações: 1, o quanto a prática é comum em todas as classes sociais e 2, uma nova postura diante dessa agressão, a de denunciar. Considero uma decisão importante incluir matérias sobre o assunto na pauta, até para dar mais visibilidade a respeito do drama das vítimas e, consequentemente, provocar posições de incentivo ao debate e conscientizar os que nos governam - se é que isso é possível.

Os governos, como se pode aferir em Rondônia, têm sido lentos demais na tomada de decisão que produza, no cenário estadual e municipal, uma estrutura eficiente para proteger e incentivar às vítimas a denunciarem seus agressores, inclusive, assistindo-as, psicologicamente. A maioria dos políticos, por sua vez, só sabe apresentar moção de aplauso reverenciando a data, enquanto as delegacias especializadas batem recordes de ocorrências. Nem precisa dizer quão altos são os custos dessa violência. Alguns, sem retorno, porque deixam sequelas que jamais serão superadas, ou porque as vidas foram ceifadas. Não basta apenas investir em campanha publicitária pelo fim da violência doméstica. Paralelo a isso, é preciso colocar em funcionamento uma estrutura eficiente para atender às vítimas.




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