Redação, Porto Velho RO, 22 de julho de 2026 - Depois de ter as contas de campanha definitivamente reprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) e ser condenado a devolver R$ 14.900,75 ao Tesouro Nacional, o pastor e ex-vereador suplente Sandro de Carvalho veio a público apresentar sua versão sobre o caso. Em entrevista, ele afirmou que as inconsistências apontadas pela Justiça Eleitoral decorreram de um erro da equipe responsável pela prestação de contas, negou qualquer prática de corrupção, anunciou que recorrerá da decisão e informou que pretende responsabilizar os profissionais contratados para conduzir a contabilidade da campanha.
A manifestação ocorreu após ampla repercussão da decisão do TRE-RO, que manteve o entendimento de que houve irregularidades na aplicação de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). O principal ponto destacado pela Corte diz respeito a R$ 13.900,75 em despesas com combustível, consideradas incompatíveis com o único veículo oficialmente declarado pela campanha, que era movido a diesel, enquanto as notas fiscais apresentadas registravam abastecimentos com gasolina. Outro item questionado envolve R$ 1.000,00 referentes à aquisição de camisetas, cuja documentação não permitiu comprovar a quantidade efetivamente produzida. O total das despesas consideradas irregulares representa 17,03% de toda a movimentação financeira da campanha, percentual considerado elevado pelos desembargadores para permitir a aprovação das contas, ainda que com ressalvas.
Ao comentar a decisão, Pastor Sandro reconheceu que a documentação apresentada foi analisada corretamente pela Justiça Eleitoral, mas sustentou que a falha ocorreu na elaboração da prestação de contas. Segundo ele, a equipe contratada anexou notas fiscais incompatíveis com o veículo utilizado durante a campanha.
De acordo com o ex-vereador suplente, seu automóvel é movido a diesel, razão pela qual considera que a apresentação de notas de gasolina demonstra um equívoco técnico na documentação encaminhada ao TRE-RO, e não uma tentativa de utilização irregular de recursos públicos. Ele também contestou o apontamento referente à compra das camisetas, afirmando que a descrição constante na nota fiscal não refletiria a realidade da aquisição.
Sandro afirmou que já determinou aos seus advogados a adoção das medidas judiciais cabíveis para tentar reverter a decisão. Além do recurso, disse que pretende buscar a responsabilização da equipe encarregada da prestação de contas, alegando que confiou nos profissionais contratados para conduzir toda a parte contábil da campanha eleitoral.
O ex-parlamentar também ressaltou sua trajetória na vida pública de Porto Velho e afirmou que jamais teria interesse em apresentar, conscientemente, documentos capazes de comprometer sua situação perante a Justiça Eleitoral. Segundo ele, o objetivo do recurso será demonstrar a regularidade dos gastos e esclarecer os pontos considerados irregulares pelo Tribunal.
Apesar das justificativas apresentadas, a decisão do TRE-RO permanece válida. O acórdão manteve a reprovação das contas de campanha e determinou a devolução de R$ 14.900,75 aos cofres públicos. A Corte entendeu que as inconsistências identificadas comprometem a confiabilidade da prestação de contas e inviabilizam a aplicação do princípio da proporcionalidade, entendimento adotado diante da relevância do percentual de despesas consideradas irregulares.
O caso reforça a importância da correta elaboração das prestações de contas eleitorais, etapa considerada essencial para assegurar a transparência na utilização de recursos públicos durante as campanhas. Inclusive, o próprio TRE-RO vem promovendo ações de orientação voltadas a candidatos, advogados e contadores sobre arrecadação, despesas e prestação de contas, com o objetivo de reduzir falhas e garantir maior conformidade com a legislação eleitoral.
Fonte: noticiastudoaqui.com