A banalização da corrupção




Em outubro de 1993, Henrique Hargreaves, ministro da Casa Civil, braço direito e amigo pessoal de Itamar Franco, foi citado em denúncia de corrupção na CPI do Orçamento. O presidente o chamou e pediu para que ele deixasse o governo. O relatório final da CPI do Orçamento considerou as acusações improcedentes contra Hargreaves. Ele reassumiu seu posto em fevereiro de 1994.

No Brasil de hoje, isso parece uma gota d’água no oceano de denúncias contra políticos e autoridades públicas que deveriam ter o mínimo recato; ao contrário, sem nenhum pejo, mergulharam de cabeça na mais abjeta pocilga da corrupção. Até onde se sabe, não são boatos plantados nas redes sociais por adversários. A imprensa aponta fatos gravíssimos envolvendo membros da mais alta cúpula da República.

Ontem, partidos políticos indicavam diretores para a Petrobrás, que cobravam propina sobre contratos de obras públicas realizadas por grandes empreiteiras, causando desvios bilionárias dos cofres da estatal; agora, é o chefe de gabinete do presidente da República que teria recebido transferências financeiras de uma lobista suspeita de participar da quadrilha que desviou bilhões de contas de aposentados e pensionistas do INSS. Nada disso, porém, chega a surpreender tantas são as denúncias que se repetem contra ocupantes dos mais elevados cargos da República.

E, o mais grave, é que os acusados não se sentem na obrigação de prestar explicações à sociedade. Comportam-se como se nada estivesse acontecendo. O presidente da República, por sua vez, não parece estar interessado no esclarecimento de tudo que vem ocorrendo no Brasil. O que se observa é um tipo de jogo para as arquibancadas. É indiscutível que as autoridades policiais e judiciais podem fazer muito, pelo menos para reverter certa tendência que começa a preocupar as pessoas sérias deste País, que já não mais aceitam conviver com esse mar de lama. É a banalização da corrupção.





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