Redação, Porto Velho RO, 15 de setembro de 2026 - O Tribunal do Júri que analisava as mortes de Ruan Lucas Hildebrandt, de 18 anos, e Alysson Henrique de Sá Lopes, de 23, terminou suspenso nesta segunda-feira (14), em Ariquemes, após os advogados de defesa abandonarem a sessão. Diante da interrupção, a Justiça de Rondônia decretou a prisão preventiva de quatro dos cinco acusados pelos crimes ocorridos em uma área rural de Cujubim, durante um período marcado por conflitos agrários.
As prisões foram solicitadas pelo Ministério Público de Rondônia (MP-RO), sob o argumento de que a medida é necessária para garantir a aplicação da lei e preservar a instrução criminal até que um novo julgamento seja realizado. Foram presos preventivamente Rivaldo de Souza, Moisés Ferreira de Souza, Jonas Augusto dos Santos Silva e Sérgio Sussumi Suganuma. Além da prisão, a Justiça determinou que os acusados arquem com custos e despesas decorrentes do cancelamento da sessão.
O caso chama atenção também pelo tempo transcorrido desde os assassinatos. Os crimes aconteceram entre o fim de janeiro e o início de fevereiro de 2016, e o julgamento somente começou dez anos depois. A sessão agora terá de ser remarcada, ainda sem nova data definida. O quinto acusado, Paulo Iwakami, não participou do julgamento por razões de saúde. O processo dele foi desmembrado e será analisado separadamente, enquanto a Justiça determinou que seja submetido a avaliação médica. Por enquanto, não houve decretação de prisão contra ele.

Segundo as investigações da Polícia Civil, o crime ocorreu após uma reintegração de posse. Um grupo de homens armados estaria responsável pela segurança de uma propriedade rural quando cinco jovens entraram na área para buscar pertences. Três conseguiram escapar, mas Ruan e Alysson foram alcançados. Alysson foi encontrado morto e carbonizado dentro de um veículo incendiado, enquanto o corpo de Ruan jamais foi localizado.
As investigações apontaram cinco pessoas como envolvidas no caso, incluindo policiais militares e o proprietário da fazenda. Na época, as autoridades apreenderam armas na propriedade e identificaram a atuação de integrantes do grupo de segurança em um confronto com a própria Polícia Militar, circunstâncias que ampliaram a gravidade do episódio e mantiveram o caso entre os mais emblemáticos conflitos agrários registrados em Rondônia.
Esta não foi a primeira vez que o julgamento enfrentou obstáculos. Em 2017, uma sessão chegou a ser suspensa depois que um advogado de defesa não compareceu. Posteriormente, os acusados chegaram a ser julgados, mas a decisão acabou anulada. Agora, com o abandono da sessão pelos advogados e a decretação das prisões preventivas, o processo ganha novo capítulo enquanto as famílias das vítimas aguardam, dez anos depois dos crimes, uma definição judicial sobre as responsabilidades pelas mortes.
Fonte: noticiastudoaqui.com