Pânico político e negócios obscuros: Rondônia diante da tempestade perfeita



A noite da última quarta-feira, 15 de julho, foi de silêncio sepulcral nos bastidores do poder em Rondônia. O desligamento em massa de telefones celulares de parlamentares e assessores não foi um apagão tecnológico, mas um reflexo do pânico. O vazamento de informações sobre uma nova e devastadora ação da Polícia Federal (PF) em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) instaurou um clima de paranoia na capital e no interior. A iminência de uma investida ainda maior do que a Operação Reduto, deflagrada há apenas uma semana, colocou a classe política local em estado de alerta máximo.

O fantasma da nova operação e o ex-secretário na mira

Desta vez, a mira dos investigadores aponta para o coração das transações financeiras do Estado. Informações de bastidores indicam que o foco principal da nova fase investigativa recai sobre o desvio de emendas parlamentares e movimentações financeiras atípicas, de altíssimo volume, nas contas de servidores públicos de escalões variados.

O sobressalto é ainda maior devido aos fortes rumores que apontam para o envolvimento direto de um outrora poderoso ex-secretário de Estado. Ele estaria sob severa investigação devido a contratos milionários firmados com empresas privadas durante sua gestão. O padrão investigado sugere um esquema em que as emendas parlamentares serviam como combustível para irrigar esses contratos privados, retroalimentando um sistema suspeito de desvios e favorecimentos.

Sucumbência milionária e a blindagem da Energisa

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Enquanto a polícia se prepara para agir, outro escândalo de proporções bilionárias ganha corpo na esfera fiscal. Procuradores do Estado de Rondônia estão prestes a ratear uma bolada de R$ 35,5 milhões de reais. A quantia, referente a honorários de sucumbência, decorre da negociação de uma gigantesca dívida da concessionária Energisa.

O caso gera profunda indignação popular: embora a população rondoniense venha sofrendo há anos com tarifas abusivas e serviços amplamente criticados prestados pela Energisa, a cúpula jurídica do Estado — que já goza de salários e privilégios no topo do funcionalismo público — sairá da negociação com os bolsos cheios. O acordo que deveria proteger o erário e o consumidor acabou se transformando em uma fonte de enriquecimento privado para defensores públicos do próprio Estado.

O paradoxo da Caerd e a conta cobrada do cidadão

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O reflexo mais nocivo desse arranjo com a Energisa deságua na iminente privatização da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd). Sob o pretexto de resolver a crise fiscal da estatal, a dívida histórica da Caerd foi extinta na negociação com a concessionária de energia. No entanto, o preço de avaliação da empresa pública para a venda permanece drasticamente reduzido, como se a dívida ainda existisse. O patrimônio público rondoniense está prestes a ser entregue à iniciativa privada por uma fração do seu valor real.

Para o contribuinte comum, a transição promete ser brutal. Ao contrário da estatal, que historicamente tolera a existência de poços artesianos domésticos sem a cobrança de outorgas abusivas, a nova gestão privada não dará trégua. O cidadão que possui poço em casa deve se preparar para uma cobrança compulsória estimada em R$ 350,00 mensais pelo simples acesso à rede. O impacto financeiro se tornará ainda mais severo com a instalação da rede de esgoto, que trará uma taxa adicional obrigatória de aproximadamente R$ 450,00 — um encargo inevitável, mesmo para quem optar por não utilizar o serviço. Enquanto o poder se cala e as fortunas são distribuídas no topo, o cidadão comum de Rondônia se prepara para pagar a conta mais cara de sua história.

Fonte: noticiastudoaqui.com



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