Redação, Porto Velho RO, 19 de maio de 2026 - A nova fase da Operação Compliance Zero colocou Rondônia novamente no centro de uma das maiores investigações financeiras e policiais do país. Deflagrada nesta terça-feira (19) pela Polícia Federal, a ofensiva autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, teve como foco apurar o vazamento de informações sigilosas relacionadas ao escândalo do Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro, apontado pelas investigações como líder do suposto esquema bilionário investigado pela PF.
Em Porto Velho, agentes federais cumpriram dois mandados de busca e apreensão e executaram o afastamento cautelar do perito criminal federal João Cláudio Nabas, apontado como suspeito de repassar dados sigilosos da operação para integrantes da imprensa. Segundo a investigação, os vazamentos teriam ocorrido entre dezembro de 2025 e janeiro deste ano, período considerado estratégico para o avanço das primeiras fases da Compliance Zero.
De acordo com informações do STF e da própria Polícia Federal, o material vazado teria sido obtido durante análises periciais de equipamentos apreendidos nas etapas anteriores da investigação. As autoridades suspeitam que informações reservadas sobre diligências, nomes de investigados e movimentações internas tenham sido antecipadas, comprometendo o sigilo da operação.

O caso Banco Master se transformou em um dos maiores escândalos financeiros recentes do Brasil. As investigações apuram crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção, invasão de sistemas informatizados, intimidação de adversários e manipulação financeira. Desde o início da operação, em 2025, diversos empresários, operadores financeiros, ex-integrantes do sistema bancário e agentes públicos passaram a ser investigados.
Entre os principais nomes citados nas apurações está o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso preventivamente pela Polícia Federal e apontado como articulador central do esquema investigado. Também aparecem entre os investigados o empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel; o pastor e empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro; o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa; além do senador Ciro Nogueira, citado em fases anteriores da investigação.
Outro personagem de destaque nas investigações é Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela PF como integrante de um núcleo de intimidação ligado ao grupo investigado. Segundo a Polícia Federal, esse núcleo teria atuado para monitorar adversários, intimidar críticos e acessar informações estratégicas de forma clandestina.
A ofensiva realizada em Rondônia reforça a preocupação das autoridades com possíveis infiltrações e vazamentos dentro da própria estrutura pública. A PF sustenta que preservar o sigilo das investigações é fundamental para impedir destruição de provas, fuga de investigados e comprometimento das diligências em andamento.
Apesar da gravidade das suspeitas, o STF ressaltou que as medidas autorizadas não atingem jornalistas nem veículos de comunicação, preservando a liberdade de imprensa e o sigilo da fonte previsto na Constituição. A investigação concentra-se exclusivamente na possível conduta criminosa de agentes públicos responsáveis pelo acesso às informações protegidas da operação.
Fonte: noticiastudoaqui.com