Não há por que reclamar ou recriminar se a pessoa que está ao seu lado, no sofá da casa ou na mesa do bar, não largar o celular e lhe der atenção. As coisas mudaram, o comportamento humano mudou, o ambiente foi alterado definitivamente. Os modos sociais e a maneira de se sociabilizar também mudou. O mundo inteiro migrou para o smartphone. O universo está no celular. Bem na sua mão.
A pessoa trancada num quarto ou largadona na varanda ou ainda, parecendo jogada num canto, não está sozinha. E mais ainda: não quer companhia e nem quer ser interrompida. Ela simplesmente está ‘navegando’ no universo virtual, mas com reflexos na vida real. Ali, ela compra e vende, faz negócios, se diverte, ‘conversa’ com outras pessoas de qualquer parte do mundo. Aprende e desaprende. Acompanha a moda, as tendências musicais e as guerras. Compra a vida e morte. Ver e se faz vista. Visita bibliotecas do mundo e museus. Compra a última droga inventada no universo. Ver e ouve o pregador de plantão. E se salva.
Essa é a grande revolução da nossa era. Há muito o celular deixou de ser um aparelho telefônico. É, na verdade, um grande computador, uma enorme central de inteligência artificial. Pergunte por que o céu é azul e a noite é escura? As respostas estão na sua mão, no seu celular ou no seu relógio de pulso.
E não fique achando que somente os jovens estão ‘nessa’. Os maiores de 50 anos participam, em média, de 5 grupos de WhatsApp. Só perdem para os ricos que chegam a quase 6 grupos. O uso do aplicativo atinge 98% dos usuários de smatphones. E 98% destes, usam o sApp todo dia ou quase todo dia.
Na minha juventude se pagava o correio para mandar cartas à namorada. Quinze dias para chegar ao destino e mais quinze para a resposta voltar, se fosse no mesmo país. Agora, se passa um sApp ou um SMS que chegam instantaneamente em qualquer canto do Planeta. Ou simplesmente você liga pelo sApp com direito a imagem. Ou seja: um vendo a cara do outro. E de graça.
Percebe aí o tamanho da mudança? E ainda estamos no limiar desta nova era. Mas tem uma coisa que nunca mudará: tudo que se faça ou venha se fazer neste universo virtual, sempre será sustentado pelo que se faz, produz e comanda na vida real.
Não recriminemos o ‘largadão’ do lado, que nos abstraiu. Mas é bom que lhes puxemos os pés para tocarem o chão de barroe areia. Cair ‘na real’, que é quem manda.