
A cerimônia simbólica da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, realizada em 7 de setembro de 1912, em Guajará-Mirim, seguiu uma tradição ferroviária norte-americana e contou com a participação de autoridades brasileiras e bolivianas.
Segundo o livro The Last Titan, biografia autorizada do empresário Percival Farquhar escrita por Charles Anderson Gauld e publicada em 1964, a locomotiva usada no evento foi uma pequena máquina Baldwin Locomotive Works restaurada nas oficinas da ferrovia.
O equipamento havia sido abandonado pela antiga empresa P&T Collins em 1878 e foi reencontrado em 1908 pelos empreiteiros da obra. Após a restauração, recebeu o nome “Coronel Church”, homenagem ao engenheiro George Earl Church, que décadas antes havia tentado construir a ferrovia. A locomotiva recebeu também o número 12 e foi utilizada como trem inaugural para transportar as autoridades presentes.
Durante a solenidade, a senhora Grace B. Jekyll, esposa de um dos empreiteiros, foi quem martelou o chamado “prego de ouro”, enviado por Farquhar dos Estados Unidos especialmente para o evento.
Após a cerimônia, o prego foi retirado e substituído por um comum prática tradicional nas inaugurações ferroviárias americanas. O costume remonta a 1869, quando Leland Stanford utilizou um cravo de ouro para marcar a conclusão da primeira ferrovia transcontinental dos Estados Unidos.
Fonte: The last Titan: Percival Farquhar, American entrepreneur in Latin America - by: Gauld, Charles Anderson. (Uma curiosidade sobre mulheres na Madeira-Mamoré: Até meados de 1910 as únicas mulheres que haviam em Porto Velho eram as esposas dos empreiteiros, somente a partir de 1911 que chegariam mulheres de outros países para trabalhar na ferrovia na lavanderia e outros afazeres).