
A Polícia Federal e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade deflagraram nesta semana a Operação Caraíba para combater o garimpo ilegal no Parque Nacional Mapinguari, em Rondônia, uma das áreas mais sensíveis da Amazônia brasileira. Durante a ação, três frentes clandestinas de exploração mineral foram desativadas e três escavadeiras hidráulicas inutilizadas pelas equipes federais.
A ofensiva ocorre em meio ao avanço das operações ambientais na região Norte, especialmente voltadas ao combate da extração ilegal de ouro, desmatamento e ocupações irregulares em áreas protegidas. Em abril, outra ação da PF e do Ibama no Rio Madeira destruiu 15 dragas utilizadas no garimpo clandestino em Porto Velho.
Apesar das operações ambientais ganharem visibilidade e mobilizarem forte aparato federal, cresce na Amazônia a cobrança por ações igualmente rigorosas contra facções criminosas nacionais e internacionais que dominam rotas aquáticas estratégicas utilizadas para tráfico de drogas, armas, contrabando e lavagem de dinheiro na região amazônica.
Especialistas em segurança pública e autoridades locais apontam que rios como Madeira, Mamoré, Guaporé e Solimões se transformaram em corredores logísticos do crime organizado, explorados por grupos ligados ao narcotráfico internacional. As organizações criminosas utilizam a extensa malha fluvial da Amazônia para transporte de cocaína oriunda da Bolívia, Peru e Colômbia, além do envio de armas e mercadorias ilegais para diferentes regiões do país.
Embora a PF realize operações periódicas na Amazônia, críticas recorrentes apontam que o mesmo nível de pressão empregado contra garimpeiros ilegais ainda não alcança de forma contínua e permanente as estruturas financeiras e operacionais das facções que atuam nas fronteiras fluviais amazônicas. Relatórios e operações anteriores já indicaram inclusive a presença de organizações criminosas associadas ao garimpo ilegal e à proteção armada de atividades clandestinas em áreas indígenas e reservas ambientais.
Em Rondônia, a preocupação aumenta devido à posição estratégica do estado na fronteira com a Bolívia e na ligação com os grandes corredores amazônicos. A região é considerada rota sensível tanto para crimes ambientais quanto para o tráfico internacional, cenário que desafia permanentemente as forças de segurança e fiscalização federais.
A Operação Caraíba reforça o esforço de preservação ambiental na Amazônia, mas também reacende o debate sobre a necessidade de ampliar o enfrentamento às organizações criminosas que transformaram as hidrovias amazônicas em verdadeiras rotas do crime transnacional.
Fonte: noticiastudoaqui.com