
Cláudio Castro é alvo de busca e apreensão da PF na Barra da Tijuca em operação ligada à ADPF das Favelas
Agentes cumprem 17 mandados de busca em diferentes endereços; ação ocorre semanas após o ex-governador renunciar ao cargo e ser declarado inelegível pelo TSE
Agentes da Polícia Federal foram ao apartamento do ex-governador Cláudio Castro (PL), na Barra da Tijuca, para cumprir um mandado de busca e apreensão na manhã desta sexta-feira (15). Informações preliminares apontam que a investigação acontece no âmbito da ADPF das Favelas, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prevê regras para diminuir a letalidade policial. Ao todo, a PF cumpre outros 16 mandados de busca em diferentes endereços. 
ADPF das Favelas como pano de fundo
A ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, é uma ação proposta pelo PSB no STF que questiona a política de segurança pública adotada pelo governo do Rio de Janeiro em comunidades. A ação estabeleceu uma série de restrições e protocolos para operações policiais com o objetivo de reduzir a letalidade nas abordagens. Cláudio Castro foi governador do Rio de Janeiro entre 2020 e 2026 e respondeu por toda a política de segurança pública estadual no período em que as exigências da ADPF estavam em vigor.
Crise institucional fluminense
A operação ocorre em meio à crise institucional sobre a sucessão estadual. Com a renúncia, o tribunal considerou prejudicada a discussão sobre a cassação do mandato, já que o então governador não ocupava mais o cargo no momento da conclusão do julgamento. A saída de Cláudio Castro abriu uma disputa jurídica e política sobre a forma de escolha do próximo governador do Rio de Janeiro para o chamado mandato-tampão, que será exercido apenas até a posse do futuro eleito nas eleições regulares de outubro. Atualmente, o governo estadual está sob comando interino do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto. 
Trajetória de renúncia e condenação eleitoral
Cláudio Bomfim de Castro e Silva serviu como governador do Rio de Janeiro entre 2020 e 2026. Membro do Partido Liberal (PL), era anteriormente vice-governador do estado, sob o governador Wilson Witzel, e assumiu o governo após o impeachment de Witzel por corrupção. Foi reeleito em 2022 em primeiro turno. Em 23 de março de 2026, Castro renunciou ao governo para concorrer ao Senado Federal, em meio a um julgamento em andamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que poderia ter levado à sua cassação. No dia seguinte, em 24 de março de 2026, o TSE o condenou por 5 votos a 2 por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022 e impôs uma proibição de oito anos para ocupar cargos públicos. 
Articulação política e desaprovação em alta
Mesmo após a decisão do TSE que o tornou inelegível para determinados cargos, o ex-governador vinha sendo citado em articulações internas do PL e manifestava intenção de disputar uma vaga ao Senado nas eleições deste ano. Nos últimos meses, Castro intensificou agendas políticas em Brasília e no Rio de Janeiro, participando de reuniões com lideranças partidárias e integrantes da cúpula nacional do Partido Liberal (PL).  A operação chega num momento de desgaste adicional para Castro, cuja desaprovação acumulada nas pesquisas recentes já havia levado aliados a sugerir que ele desistisse da disputa ao Senado e buscasse uma vaga na Câmara dos Deputados.
Acusação no caso do TSE
O Ministério Público Eleitoral acusou Castro de realizar ao menos 27 mil contratações temporárias para a Fundação Centro de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores do Rio de Janeiro às vésperas da eleição de 2022. A operação ocorre um dia após a renúncia do ex-governador, com o TSE tendo formado maioria para torná-lo inelegível até 2030.  A nova investigação no âmbito da ADPF das Favelas amplia o cerco judicial sobre o ex-governador e levanta dúvidas sobre o futuro político de uma das figuras mais influentes do PL no Rio de Janeiro.