MEU BRAVO AMIGO EURO



 

Esses teus 97 anos bem vividos, te agigantaram ao porte de um Angelim Vermelho nos seus 88 metros de altura. Na verdade, ultrapassaste, pois, até ontem, eras o decano maior dos jornalistas em atividade em toda a Amazônia e talvez, em todo o Brasil.

Nesta tarde, os ventos chuvosos do inverno correram as florestas, sacudiram os galhos das árvores, os pássaros silenciaram e os animais se quedaram nos seus cantos, em respeitosa homenagem à tua partida, meu querido Angelim Vermelho.  

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As matas perderam um membro das mais reluzentes espécies. Um dos bons filhos do Criador. Eu, pobre açaizeiro, tenho me curvado aos açoites dos ventos. A terra já reflui aos meus pés. Já não tenho mais a sombra protetora dos teus galhos. Estou ficando só no meu pedaço de mato. Sentirei muito a tua falta, Angelim Vermelho.

Sob teus frondosos galhos abrigastes a muitos. Generoso, a tantos acolhestes. Eu tive o privilégio da dádiva da tua generosidade. O meu primeiro fruto nestas matas de Rondônia, o Jornal O Parceleiro, nasceu na Oficina das Artes do teu Alto Madeira. Foi tu que venceste a breve resistência do teu irmão. Desde então teu dei minha amizade agradecida. Agora, terna lembrança.

Guardarei na alma, nosso último encontro, na tua casa, junto com o Ciro Pinheiro e Lúcio Albuquerque. Conversamos, rimos, rememoramos fatos nossos e teus. Nos contaste saborosos episódios de quando ainda jogavas bola. Lembra? Quem memória tinhas! Falavas com uma empolgação e alegria de criança.

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Era 16 de outubro e o teu fisioterapeuta acabara de sair. Encerrara mais uma sessão para expandir a capacidade respiratória dos teus pulmões, já enfraquecidos. Nos contaste, desde menino havias contraído asma. Quando te abracei, senti a contração pequena e o chiar dos brônquios. O Lúcio me alertara.

Mas estas coisas, são fimbrias da arte do Criador nos preparando para a acolhida em Seu Seio. Onde, agora estás. Deixastes a todos o exemplo de vida digna e honrada. À família e aos amigos. Ninguém nunca de ti se envergonhará. Terão, como eu, orgulho de terem te conhecido e de haverem sido distinguido com tua honrosa amizade.

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Amanhã me alegrarei com o verde das matas, com o colorido das flores, com a alegrias de todos os seres vivos, criaturas do Eterno. Não ficarei triste! Me juntarei aos cantares da recepção de Deus a um dos Seus diletos filhos, Euro Tourinho, meu amigo.

Fonte: Osmar Silva

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