Em meio a desafios históricos no transporte público, capital rondoniense mantém preço equivalente a cidades com infraestrutura superior, como Curitiba e Florianópolis
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PORTO VELHO (RO) - O recém-eleito prefeito Léo Moraes (PODE) herdará, a partir desta quarta-feira (1), um dos mais complexos desafios da gestão municipal: administrar o sistema de transporte público com a tarifa mais elevada entre as capitais brasileiras. O valor de R$ 6,00 por passagem coloca Porto Velho no topo de um ranking que evidencia as disparidades nos serviços de mobilidade urbana do país.
O cenário torna-se ainda mais crítico quando comparado a outras capitais que cobram tarifa similar. Enquanto Curitiba, reconhecida internacionalmente por seu sistema de transporte integrado, e Florianópolis, com sua moderna infraestrutura urbana, justificam o mesmo preço com serviços de excelência, Porto Velho enfrenta críticas pela discrepância entre o valor cobrado e a qualidade oferecida aos usuários.
A escalada do preço da passagem tem raízes em uma série de crises enfrentadas durante a gestão de Hildon Chaves (PSDB). O atual prefeito, diante de um sistema à beira do colapso e da ausência de empresas interessadas em operar na capital, optou por uma solução emergencial: atrair uma empresa de outro estado através de significativos subsídios municipais, conseguindo assim modernizar a frota, ainda que a um alto custo para os cofres públicos.
O novo gestor municipal assume em um momento crucial para o futuro da mobilidade urbana porto-velhense. Embora não tenha anunciado reajustes para 2025, a manutenção da atual tarifa já representa um peso significativo no orçamento dos aproximadamente 540 mil habitantes da capital. O desafio de Léo Moraes será equilibrar a sustentabilidade financeira do sistema com o direito constitucional de ir e vir dos cidadãos.
A questão ultrapassa a simples discussão tarifária, envolvendo aspectos como planejamento urbano, desenvolvimento econômico e qualidade de vida da população. Especialistas apontam que a solução passa por uma reformulação completa do modelo de gestão do transporte público, possivelmente incluindo alternativas como subsídios direcionados, integração modal e modernização dos sistemas de controle.
(ro24hnoticias)
