Os governos, políticos, instituições culturais e acadêmicas, além de lideranças da sociedade civil, vêm cometendo uma inaceitável ingratidão com os nossos heróis contemporâneos.
Estão jogando, na vala do esquecimento, com injusta ingratidão, justamente aqueles que deram materialidade ao sonho de transformar Rondônia no estado pujante que, hoje, orgulha os rondonienses, nativos e adotados.
Aqueles que vieram colonizar o Território Federal de Rondônia nos anos 70, com somente dois municípios, Porto Velho e Guajará-Mirim, e criaram os cinquenta e dois municípios e as centena de distritos com porte de cidade de hoje, estão morrendo e sendo enterrados anonimamente.
A maioria, se tornou desconhecida até na sua própria cidade, sem o devido e justo reconhecimento ao ato heroico de haver chegado ali domando a selva desconhecida com somente um cacaio nas costas, onde estava todos os seus bens, um facão e um coração cheio de coragem e esperança.

Luiz Augusto Oliveira, foi um desses heróis. Se seus descendentes fossem ainda católicos, como quando os conheci, estariam celebrando hoje, dia 17, a missa de 7ª dia de sua morte.

Um paranaense que acreditou no chamado do Incra e deixou sua terra para vir colonizar Rondônia; foi dos primeiros a pegar um lote no Projeto Burareiro, para plantar cacau, em Ariquemes, quando a cidade ainda não existia.
Participou de todas as lutas e batalhas na criação da nova Ariquemes para que a cidade viesse a ser o que é hoje. Foi fundador a Associação dos Pecuaristas de Ariquemes, por exemplo, a quem dedicou quase a vida toda. Mas foi enterrado em Buritis, onde era um desconhecido, por está morando com sua filha, após perder sua amada Ilda.

Ele é o de bermuda
Seu depoimento não está nos museus do estado, nem nas universidades com seus departamentos de letras e de história, tampouco foi registrada pela imprensa. Como migrante anônimo chegou, como herói anônimo partiu.
Sua história, lutas, vitórias e perdas, restam na memória e no coração dos seus descendentes, como os filhos Osni e Suely, e os amigos que conheciam sua generosidade, o sorriso aberto, e o humor picante sobre a realidade que o cercava.
Assim, no silêncio ingrato, Rondônia vai perdendo os seus mais legítimos heróis.
É do que trata o ‘Língua de Fogo’ de hoje, em pequenos vídeos, sobre os fatos acima. Digite, no seu celular, noticiastudoaqui.com para ver tudo e muito mais.