Nova empresa assume coleta sob suspeitas e crise do lixo expõe falhas de controle em Porto Velho



Redação, Porto Velho RO, 20 de abril de 2026 - A transição no serviço de coleta de lixo em Porto Velho, marcada pela entrada da empresa Sistemma nesta quarta-feira (22), ocorre sob forte questionamento técnico e político, evidenciando fragilidades no controle, na transparência e na publicidade dos gastos públicos relacionados a um dos serviços mais sensíveis da administração municipal.

Relatórios e diligências apontam que a nova empresa ainda não possui estrutura mínima para operar de forma eficiente na capital. Entre as falhas identificadas estão a ausência de base logística, falta de contratação de trabalhadores e indefinição sobre frota, rotas e cronograma de coleta — elementos essenciais para garantir a continuidade do serviço.

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O problema se agrava pelo curto prazo de transição. A empresa anterior encerra suas atividades praticamente no mesmo momento em que a nova deveria iniciar, criando risco real de descontinuidade na coleta. Técnicos e fontes ouvidas apontam que, sem estrutura operacional montada, a prestação do serviço pode ser comprometida já nos primeiros dias.

A situação se reflete diretamente nas ruas, com registros recentes de acúmulo de lixo em diversos bairros, ampliando o risco de um colapso sanitário. O acúmulo de resíduos sólidos, especialmente em uma cidade de clima quente e úmido, favorece a proliferação de vetores de doenças e agrava problemas ambientais e de saúde pública.

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Além do impacto imediato na população, o caso levanta questionamentos sobre a condução administrativa do contrato. A escolha da empresa, a ausência de planejamento visível para a transição e a falta de informações claras à sociedade expõem lacunas nos princípios da publicidade e da transparência, que regem a gestão pública.

O contrato com a Sistemma inclui atividades estratégicas como coleta de resíduos urbanos, transporte, tratamento de lixo hospitalar e operação do aterro sanitário — serviços que envolvem recursos significativos e exigem alto nível de fiscalização.

Especialistas em gestão pública apontam que a ausência de clareza sobre custos, metas e estrutura operacional compromete o controle social e institucional. Sem dados públicos detalhados — como número de veículos, equipes, rotas e indicadores de desempenho — torna-se difícil avaliar a eficiência do gasto público e a qualidade do serviço prestado.

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No campo político, a crise tende a ganhar repercussão. A sucessão de empresas na coleta de lixo durante a atual gestão e os problemas recorrentes reforçam cobranças por maior rigor na fiscalização contratual e podem motivar investigações por órgãos de controle, como tribunais de contas e Ministério Público.

A crise do lixo em Porto Velho, portanto, vai além de um problema operacional. Ela expõe um desafio estrutural da administração pública: garantir que contratos milionários sejam executados com eficiência, transparência e responsabilidade, assegurando à população um serviço essencial que, neste momento, ainda está longe de alcançar a regularidade esperada.

Fonte: noticiastudoaqui.com



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