Muitos, inclusive jornalistas que agora fazem cobranças, embarcaram na narrativa de que o STF estava “salvando a democracia”

A operação Lava Jato começou a acabar quando chegou no “amigo do amigo do meu pai”. Marcelo Odebrecht havia delatado esquemas envolvendo o ministro Dias Toffoli e, desde então, a coisa desandou. Uma reportagem da revista Crusoé foi censurada, e o próprio Toffoli criou o “Inquérito do Fim do Mundo” para investigar “fake news” com base num pretexto ridículo do regimento interno do STF, dando a relatoria para Alexandre de Moraes. Lá se vão sete anos…
Moraes, desde então, assumiu a cara de principal vilão da nação, aquele que perseguiria de forma implacável os conservadores, com censura, prisões arbitrárias, abuso de direitos humanos etc. Recebeu até uma Lei Magnitsky da maior democracia do mundo, ao lado de tiranos e traficantes. Moraes tem sido o maior algoz de Bolsonaro e seu entorno, daí o foco em sua pessoa nos pedidos de impeachment. É o maior símbolo do estado de exceção que tomou conta do Brasil.
Mas parece que Toffoli tenta o impossível: desbancar o colega e assumir o trono. O caso do Banco Master colocou o ex-advogado petista no epicentro da crise. Nem mesmo o contrato de R$ 129 milhões do banco de Daniel Vorcaro com o escritório da família de Moraes conseguiu rivalizar com os supostos esquemas de Toffoli com essa máfia.
Uma reportagem do Metrópoles que um belo resort que “pertencia” aos irmãos de Toffoli — um é padre e o outro é político —, no fundo parece ser do próprio ministro. Sem saber que estavam sendo gravados, funcionários revelaram que todos no local tratam Dias Toffoli como o dono, que ele tem uma bela casa na ala nobre do hotel, disponível sempre para ele, e até um barco. É o sítio de Atibaia do Lula, só que na versão Master.
Detalhe: o resort opera até uma espécie de cassino local, com maquininhas e Blackjack! Esse megaempreendimento teria sido vendido para um advogado da J&F, holding dos irmãos Batista, aqueles que tiveram uma multa de R$ 10 bilhões aliviada pelo mesmo Toffoli. Foi o mesmo ministro que pegou carona em jatinho com advogado do Banco Master e logo depois colocou o caso em sigilo total. Também foi ele quem resolveu que as provas apreendidas pela Polícia Federal deveriam ir diretamente a ele lacradas. Depois, ao ver a repercussão negativa, aceitou peritos da PF, mas aqueles que ele mesmo escolheu.
Em qualquer país sério, Moraes e Toffoli já seriam réus em julgamentos ou estariam presos. No Brasil, nem mesmo impeachment rola.
A velha imprensa finalmente resolveu fazer jornalismo e, sabe-se lá com quais fontes e intenções, o fato é que muita coisa podre sobre Moraes e Toffoli está vindo à tona nesse escândalo. As cobranças não param: Toffoli não tem mais condições de ser o relator do caso Master; suas decisões são “incomuns”, “heterodoxas”, “exóticas”. Em suma, fritaram o ministro, e o STF discute como resolver a nova crise de imagem.
Chega a ser ridículo, nessa circunstância, falar em “código de ética”, como quer o presidente Fachin. Ora, os ministros rasgam a Constituição da qual deveriam ser os guardiões, e o que veio a público não mostra simples conflito de interesse ou até mesmo promiscuidade, mas sim corrupção escancarada. Nenhum escritório tem acordo de R$ 3,6 milhões mensais fixos, atuando em basicamente nenhuma causa importante. Como a família de Toffoli acumulou dinheiro para ser dona de um resort desses, cuja “venda” rendeu ao menos R$ 33 milhões enviados a paraíso fiscal?
Por que alguém está detonando Moraes e Toffoli, fornecendo informações preciosas aos jornalistas, ainda não sabemos. Podemos apenas especular. Moraes reagiu, claro, incluindo em inquéritos a Receita Federal e o Coaf, tentando atirar no mensageiro e descobrir a fonte dos vazamentos. Mas as informações seguem aí, para escândalo da nação.
Ou melhor, daquela parte da população que não está sedada. Muitos, inclusive jornalistas que agora fazem cobranças, embarcaram na narrativa de que o STF estava “salvando a democracia”. Na prática, estava apenas perseguindo de forma absurda a direita e se blindando de seus esquemas corruptos. Em qualquer país sério, Moraes e Toffoli já seriam réus em julgamentos ou estariam presos. No Brasil, nem mesmo impeachment rola, pois o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, protege seus colegas supremos. A sensação é a de que uma quadrilha tomou conta do país mesmo.
(revistaoeste)