Redação, Porto Velho RO, 16 de maio de 2026 - O governador de Rondônia, Marcos Rocha, vive uma das fases mais delicadas e silenciosas de sua trajetória política desde que chegou ao Palácio Rio Madeira, em 2019. Faltando poucos meses para o encerramento de oito anos de mandato, Rocha reduziu aparições públicas, limitou entrevistas e passou a atuar prioritariamente nos bastidores, concentrando esforços na construção do projeto político de sucessão do grupo governista para as eleições de 2026.
Nos corredores da política estadual, aliados e adversários avaliam que o governador atravessa um momento de forte desgaste emocional e político após a frustração do projeto de disputar uma vaga ao Senado. A desistência da candidatura, influenciada pela crise interna com o vice-governador Sérgio Gonçalves, alterou completamente o cenário planejado pelo núcleo político do Palácio Rio Madeira.
Desde então, Marcos Rocha passou a adotar postura mais reservada, priorizando agendas administrativas, gravações institucionais e viagens ao interior do Estado, enquanto evita exposição direta em debates políticos. Nos bastidores, porém, continua exercendo influência decisiva na condução do PSD em Rondônia e na construção da pré-candidatura do prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, apontado como o nome escolhido pelo governador para tentar manter o grupo político no comando do Estado.
A articulação para composição da chapa governista mostra que Rocha permanece ativo politicamente. Foi dele, segundo aliados, parte importante da negociação que convenceu o empresário e apresentador Everton Leoni a aceitar a vaga de vice na futura composição liderada por Fúria. O movimento também contou com participação do ex-senador Expedito Júnior, uma das figuras mais experientes da política rondoniense.

Ao mesmo tempo, crescem nos bastidores críticas relacionadas ao processo de rompimento político entre Marcos Rocha e antigos aliados que participaram diretamente da sustentação de seu segundo mandato. Interlocutores políticos afirmam que o governo iniciou um processo de substituição de nomes indicados por grupos considerados hoje adversários internos, incluindo aliados ligados ao vice-governador Sérgio Gonçalves e ao ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves. A deputada estadual Ieda Chaves, esposa de Hildon, também passou a figurar entre os nomes distanciados do núcleo político do governo.
Nos meios políticos, a movimentação é interpretada por adversários como tentativa de isolamento de antigos parceiros e reorganização do poder interno do grupo governista para o período pós-mandato. Já aliados do governador sustentam que as mudanças administrativas fazem parte de uma reorganização natural do fim de gestão e da necessidade de alinhamento político do governo na reta final.

Apesar do ambiente de tensão política, Marcos Rocha ainda busca consolidar marcas administrativas para encerrar o mandato. Entre as prioridades está a aquisição da área destinada ao futuro Hospital de Urgência e Emergência de Porto Velho, obra considerada estratégica pelo governo e tratada como um dos principais legados da atual administração.
Enquanto o cenário eleitoral de 2026 começa a ganhar forma, o governador tenta equilibrar o desgaste político, as disputas internas e a construção da própria herança administrativa. Nos bastidores, porém, cresce a percepção de que a reta final do governo será marcada muito mais pelas articulações de sucessão, disputas por espaço político e rearranjos de poder do que propriamente pela tranquilidade típica de encerramento de mandato.
Fonte: noticiastudoaqui.com