
O avanço das facções criminosas sobre atividades econômicas e bairros de Porto Velho voltou ao centro do debate sobre segurança pública em Rondônia após declarações do ex-comandante-geral da Polícia Militar, Régis Braguin.
Em entrevista concedida ao programa Conexão Rondoniaovivo, ele afirmou que integrantes do Comando Vermelho estariam cobrando "pedágio" de provedores de internet para permitir o funcionamento dos serviços em áreas sob influência da organização criminosa, reproduzindo um modelo de dominação territorial já observado em outros estados brasileiros.
Segundo Braguin, a atuação das facções deixou de se concentrar apenas no tráfico de drogas e passou a atingir setores estratégicos da economia, impondo cobranças ilegais, ameaças e intimidação contra empresários. Na avaliação do ex-comandante, quando organizações criminosas passam a controlar serviços essenciais e a ditar regras para empresas e moradores, ocorre uma grave afronta à autoridade do Estado e aos direitos da população.
As declarações ocorrem em um contexto de sucessivos ataques registrados contra empresas de internet em Porto Velho ao longo deste ano. Conforme registros policiais, criminosos promoveram atentados com disparos de arma de fogo e ataques incendiários contra provedores que se recusariam a aceitar as imposições da facção. As ações levaram as forças de segurança a reforçar operações para identificar e prender os responsáveis.
Durante a entrevista, Braguin também atribuiu parte do fortalecimento das organizações criminosas ao que considera fragilidades da legislação penal e à rápida liberação de suspeitos presos em audiências de custódia. Segundo ele, policiais frequentemente prendem integrantes armados de facções que acabam respondendo em liberdade, situação que, em sua avaliação, compromete o efeito das operações realizadas nas ruas. Essas declarações representam a opinião do entrevistado sobre o atual modelo de enfrentamento ao crime organizado.
Outro ponto destacado pelo ex-comandante foi o déficit de efetivo nas forças policiais. Ele afirmou que a ausência de concursos públicos por um longo período provocou o envelhecimento do quadro operacional da Polícia Militar, reduzindo a capacidade de resposta diante da expansão das organizações criminosas. Para ele, ampliar o efetivo é uma das medidas necessárias para fortalecer o combate à criminalidade.
Apesar do cenário de preocupação, as forças de segurança de Rondônia têm intensificado operações de enfrentamento às facções criminosas. A Polícia Militar e a Polícia Civil vêm realizando ações integradas, prisões de suspeitos, apreensões de armas e drogas e operações voltadas ao combate às organizações criminosas, inclusive em ocorrências relacionadas aos ataques contra provedores de internet e ao tráfico de drogas na capital.
Especialistas em segurança pública apontam que o enfrentamento ao crime organizado exige atuação permanente e integrada entre polícias, Ministério Público, Poder Judiciário, sistema prisional e órgãos de inteligência. O combate ao financiamento das facções, à lavagem de dinheiro, à corrupção e às atividades econômicas exploradas ilegalmente pelos grupos criminosos é considerado tão importante quanto as prisões realizadas nas ruas.
No caso específico de Porto Velho, o crescimento da influência de facções em determinados bairros gera preocupação entre moradores e comerciantes, que convivem com relatos de intimidações, cobranças ilegais e disputas por território. Quando organizações criminosas passam a exercer controle informal sobre regiões da cidade, restringindo a liberdade de circulação ou impondo regras próprias, há um enfraquecimento da presença do Estado e um impacto direto sobre a sensação de segurança da população.
Entre as medidas frequentemente defendidas para conter esse avanço estão o fortalecimento da inteligência policial, a ampliação do efetivo das forças de segurança, investimentos em tecnologia de monitoramento, maior integração entre órgãos estaduais e federais, proteção às vítimas e testemunhas, combate às fontes de financiamento das facções, maior fiscalização das fronteiras e políticas sociais voltadas à prevenção do recrutamento de jovens pelo crime organizado.
O desafio para Rondônia vai além da repressão imediata. O avanço das facções demonstra que o crime organizado busca ampliar seu poder econômico e territorial, explorando atividades ilícitas e pressionando setores produtivos. A resposta do Estado depende da manutenção de operações permanentes, da responsabilização criminal dos envolvidos e da preservação da autoridade das instituições públicas, para assegurar que a população continue exercendo seus direitos sob a proteção da lei e não sob a imposição de organizações criminosas.
Fonte: noticiastudoaqui.com