Nos pródromos que antecedem as eleições de outubro, o que mais se tem ouvi e lido, principalmente em grupos de WhatsApp, são pessoas revoltadas com a conduta de políticos. Algumas chegam a dizer: “Não vou mais votar em porcaria de político nenhum”. Outros carregam na linguagem, usando adjetivos que considero impublicáveis. É até compreensível o sentimento de ojeriza nutrido por parcela expressiva da população com governantes e políticos que não têm correspondido aos anseios de mudanças da sociedade. Mexe-se em tudo e nada se muda. Enquanto isso, a vida das pessoas, especialmente dos segmentos mais carentes da sociedade, só piora.
Desesperar-se, contudo, não é a melhor opção, conquanto, repita-se, compreensível. Existe outra saída que julgo a mais acertada. Trata-se de uma palavrinha de quatro letras, que tem um peso extraordinário: voto. Se o eleitor não está satisfeito com a atuação desse ou daquele político, cabe-lhe o direito democrático de execrá-lo da vida pública. Afinal, os políticos são eleitos por nós. Nenhum deles caiu de paraquedas no palácio do Planalto, Senado, na Câmara dos Deputados ou Assembleia Legislativa de Rondônia. Fomos nós que os elegemos. Fomos nós que os colocamos lá.
É muito conhecida e cheia de sabedoria a velha frase que diz que cada povo tem os políticos que merece. Temos os políticos que temos porque somos os eleitores que somos. Cada eleição é uma oportunidade que temos para corrigir nossas escolhas, mas, infelizmente, muitos eleitores insistem em não enxergar o óbvio, votando nos mesmos espertalhões de sempre, iludidos por discursos demagógicos e promessas eleitoreiras ou, então, trocam seus votos por uma boquinha no serviço público. Depois não adianta reclamar dos políticos.
Valdemir Caldas