Rejeição de Messias ao STF expõe crise de articulação do governo Lula no Senado, diz mídia



Derrota inédita no Senado expôs a fragilidade da articulação do governo Lula, que viu a indicação de Jorge Messias ao STF ser rejeitada e enfrenta agora um cenário de maior tensão com o Congresso e incerteza sobre sua capacidade de avançar pautas essenciais.

A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), por 42 votos a 34 e uma abstenção, marcou a primeira derrota desse tipo desde o século XIX e expôs fragilidades profundas na articulação política do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

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  • Segundo o cientista político Creomar de Souza, consultado pela mídia brasileira, o episódio revela um problema estrutural: a incapacidade do presidente, em seu terceiro mandato, de consolidar uma base sólida no Congresso, apesar de vitórias pontuais em votações anteriores.

O analista afirma que o governo superestimou sua força legislativa e subestimou a composição mais conservadora do Parlamento eleito em 2022. Segundo ele, a combinação entre erro de leitura política e o peso das emendas parlamentares ampliou a autonomia dos senadores, que se sentiram confortáveis para rejeitar o indicado do Planalto. A derrota, diz, tende a ser um ponto de inflexão na relação entre Executivo e Legislativo.

Segundo a apuração, nos bastidores, a avaliação é de que o revés pode paralisar a agenda do governo no Senado. Creomar relata que ouviu de interlocutores experientes em Brasília que, caso Messias fosse rejeitado, o governo Lula 3 sofreria um "encerramento legislativo", com enorme dificuldade para avançar pautas relevantes, especialmente após o esforço político e financeiro investido na tentativa de aprovar o nome.

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A votação, no entanto, também redesenha o equilíbrio interno do Senado. Davi Alcolumbre (União Brasil), presidente da Casa, emerge com uma vitória parcial, embora em posição delicada. Ele sempre preferiu Rodrigo Pacheco (PSD) para a vaga no STF e, segundo relatos, atuou discretamente para minar a indicação de Messias. Ainda assim, sua postura pode gerar desgaste com setores bolsonaristas e custar-lhe espaços no governo federal.

A situação de Alcolumbre é descrita pelo analista como "dúbia": ao mesmo tempo em que conseguiu barrar o nome do governo para o STF, terá de lidar com possíveis retaliações e com a necessidade de reposicionar-se politicamente em um Senado fragmentado. A derrota também reforça a influência de Pacheco, que era cotado para a vaga e mantém relação estreita com o presidente do Senado.

  • No Supremo, o episódio aumenta a tensão institucional. Parte da Corte teria atuado nos bastidores em favor de Messias, e a rejeição cria incertezas sobre o próximo nome a ser indicado. Segundo Creomar, Alcolumbre sinaliza que não pretende apreciar uma nova indicação antes das eleições de outubro, o que pressiona o Planalto e deixa o STF em compasso de espera.
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O impasse ocorre às vésperas de votações sensíveis, como a análise do veto presidencial ao PL da Dosimetria, cuja derrubada pode levar o tema novamente ao STF e reacender conflitos com o Congresso e o campo bolsonarista. Nesse cenário, a rejeição de Messias não apenas representa uma derrota histórica, mas inaugura um período de maior instabilidade política para o governo, conclui a publicação.

(noticiabrasil)



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