Mais de 63 milhões de brasileiros estão com o pagamento das contas em atraso. Não é um atraso qualquer: varia de 1 a 3 anos em 39% dos casos. Não é número é qualquer: é mais que a população dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro juntas. Esse patamar recorde foi alcançado em julho, quando a inadimplência subiu 4,31% em relação ao mesmo mês de 2017, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).
O perfil médio do brasileiro que teve o CPF incluído nas listas sujas do comércio mostra que ele é majoritariamente do sexo feminino, mora na região Sudeste, tem entre 30 e 49 anos e suas dívidas estão concentradas no setor financeiro — cartão de crédito, cheque especial e empréstimo. O valor médio dos débitos é de 1.512,48 reais.
O que esse perfil não mostra é que a situação está tão difícil que o endividado passou a atrasar o pagamento de contas básicas, como as de água e luz. Em julho, pela primeira vez, as pendências com contas desse tipo foram as que mais cresceram, 7,66%, enquanto as dívidas com bancos avançaram 6,90%.
“Quando chega a esse nível é porque há uma situação de total desequilíbrio financeiro, a pessoa não consegue ser seletiva nem com o que é essencial”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
O salto da inadimplência reflete a frustração com a expectativa de crescimento econômico para 2018 que se tinha no fim de 2017 combinada ao aumento da concessão de crédito, o que elevou o endividamento da população.
“Como havia uma previsão de crescimento de 3%, os bancos voltaram a conceder crédito. Esse crescimento não veio, o mercado de trabalho não se recuperou e as pessoas ficaram sem condições de pagar as dívidas assumidas”,afirma Kawauti.
Fonte: Veja