Jair Bolsonaro escolheu o homem que poderá ditar o ritmo das investigações da Lava Jato no Ministério Público Federal:
Augusto Aras, o indicado do presidente para a Procuradoria-Geral da República, já atacou a Lava Jato e já fez festa para petistas enrolados com a Justiça — mas, então, como ele conseguiu conquistar a preferência de Bolsonaro?
Os repórteres Renalto Alves, Mateus Coutinho e Caio Junqueira investigaram essa história e tem informações exclusivas.
Eles revelam quem foi o padrinho de Augusto Aras na corrida pela indicação.

Um dos principais responsáveis pela escolha de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República é figurinha carimbada em investigações do Ministério Público de Brasília.
Alberto Fraga, coronel aposentado da Polícia Militar e ex-deputado federal, já foi condenado em duas ações movidas pelo grupo de combate ao crime organizado da Promotoria local. (…) Foi Fraga quem aproximou Augusto Aras de Jair Bolsonaro.
Amigo do subprocurador há mais de quinze anos, o ex-deputado se incumbiu de levá-lo ao encontro do presidente, no Palácio da Alvorada. (…) A amizade de Fraga e Bolsonaro extrapola trinta anos…
Augusto Aras entrava escondido no Palácio da Alvorada:
Aras esteve pelo menos sete vezes com Bolsonaro. Na maior parte dos encontros, à noite e sem registro na agenda oficial do Planalto, estava acompanhado de Fraga. Aras entrava no banco do carona da camionete Chrysler de Fraga. As visitas ocorriam, quase sempre, nos momentos em que já não havia mais jornalistas na portaria do palácio. Mesmo assim, Fraga orientava o procurador a se abaixar caso, de repente, aparecesse algum bisbilhoteiro interessado em ver quem estava a bordo. A ideia era manter a discrição.
Foram, pelo menos, sete reuniões. As conversas nunca tiveram um norte comum. Bolsonaro intercalava perguntas pessoais, sobre família e futebol, com questões sobre o projeto de Aras para a PGR.
Os temas mais presentes eram meio ambiente e identidade de gênero. O tema Lava Jato foi, claro, assunto das conversas com o presidente. Bolsonaro quis saber a opinião de Aras sobre a operação. O procurador pôs um pé em cada canoa: tanto elogiou quanto criticou. Em uma das vezes, disse que a Lava Jato precisa ser amplificada dentro do próprio MP e, depois, estendida a um número maior de estados e municípios.
Por outro lado, afirmou ser preciso conter os abusos e desvios que, em sua opinião, começaram com o excesso de personalismo de muitos que conduziram a operação.
Documentos obtidos pelos repórteres mostram ainda que Aras tem 60% de participação no escritório onde diz fazer apenas consultoria:

Agora, se o nome de Aras for aprovado pelo Senado, ele terá condições de ditar o ritmo das investigações da Lava Jato no MPF.
Fonte: Crusoé
Com edição do noticiastudoaqui.com