Pacheco rebate Haddad e nega irresponsabilidade fiscal em desoneração



Presidente do Senado afirmou que o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) foi avisado de sua decisão sobre os municípios

 

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse nesta 3ª feira (2.abr.2024) que a retirada da reoneração da folha de pagamentos dos municípios com até 156 mil habitantes da MP (medida provisória) 1.202 de 2023 não é um “ato de irresponsabilidade fiscal”. A fala se deu depois de o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defender um pacto para reequilibrar as contas públicas.

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“Eu já tenho minha posição sobre a desoneração da folha via medida provisória. Ela já está errada desde o início. Isso estava claro desde os meus primeiros posicionamentos. Eu entendo que se há a intenção de mudar uma lei aprovada em dezembro, o correto seria, desde o princípio, ser apresentado um projeto de lei. E isso estaria a princípio sendo finalizada a discussão”, afirmou a jornalistas.

Segundo Pacheco, não deviam “apostar” em uma medida provisória que não tinha “viabilidade política”.

Não vou dizer que houve atraso ou houve erro”, declarou.

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Mais cedo, Haddad e o líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), negaram que foram comunicados antecipadamente sobre a decisão de Pacheco. Agora, o presidente do Senado afirmou que avisou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, antes de tomar a atitude.

Pacheco voltou a afirmar que a sua decisão e a eventual discordância sobre o tema da desoneração não abala sua relação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) –de quem é próximo.

“Queria fazer um importante estabelecimento do nosso bom alinhamento com o governo federal, em especial, com o Ministério da Fazenda e com o ministro Fernando Haddad. Isso não abala a relação que nós estabelecemos, inclusive, muito proveitosa no ano de 2023, com aprovações importantes, inclusive, a reforma tributária, todos os projetos no final das contas, do Ministério da Fazenda, foram muito bem recebidos, tanto na Câmara quanto no Senado Federal”, disse.

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Pacheco afirmou ainda que, para mudar o entendimento sobre a desoneração, há necessidade de apoio político, e que, se não houver, é preciso encontrar recursos para bancar o benefício fiscal.

“Ou há votos para provar um novo modelo, ou não há votos. E se não houver votos, será preciso encontrar uma forma de arcar com as despesas da desoneração”, declarou.

DECISÃO DE PACHECO

O presidente do Senado justificou a decisão de retirar o trecho sobre municípios da MP como uma forma de evitar uma insegurança jurídica. Segundo ele, caso houvesse a prorrogação desse trecho, haveria a cobrança de 20% da reoneração da folha dos municípios por 60 dias e depois poderia voltar para 8%, como é atualmente com a desoneração.

“É legítimo o governo querer discutir um novo projeto de lei sobre o tema”, disse o congressista. Defendeu que as discussões precisam ser feitas por projetos de lei.

Na 2ª feira (1º.abr), Pacheco prorrogou por mais 60 dias a MP 1.202 de 2023, que agora só deve tratar sobre a limitação da compensação de créditos tributários obtidos por empresas por meio de decisão judicial.

Apesar de a renúncia fiscal estar mantida, o governo não tem fonte de recursos para financiá-la. Segundo Haddad, o impacto fiscal é de R$ 10 bilhões. O valor é próximo do cálculo do CNM (Confederação Nacional dos Municípios).

O ministro da Fazenda enviou uma MP (medida provisória) em 28 de dezembro de 2023 para, entre outros temas, rever tanto a desoneração quanto a diminuição da alíquota com a contribuição previdenciária dos municípios. Ambas as medidas foram retiradas da MP 1.202 e serão discutidas via projeto de lei.

Haddad disse que terá reunião com o ministro das Relações Institucionais. Ele declarou que vai aguardar, no mês de abril, a votação do projeto que irá voltar, parcialmente, com as cobranças aos municípios.

Ele afirmou que o projeto sana, em parte, o problema. A estimativa é de um ganho tributário de R$ 4 bilhões.

As mudanças na contribuição previdenciárias serão analisadas, agora, no projeto de lei (1.027 de 2024) do líder do Governo na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE).

(Poder360)



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