PGR pede condenação de acusados de matar Marielle e motorista em 2018



O órgão pede a condenação dos cinco réus pelos crimes de organização criminosa e homicídio

A PGR (Procuradoria-Geral da República) reiterou, nesta terça-feira (24), durante o julgamento do caso Marielle Franco e Anderson Gomes, o pedido para condenar os réus, que estão presos preventivamente, acusados do assassinato da governadora e de seu motorista, em março de 2018.

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O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, apresentou a denúncia do órgão, que defendeu que a vereadora era um “risco aos interesses” dos irmãos Brazão, apontados como mandantes de sua morte. Domingos é conselheiro afastado do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Rio de Janeiro) e Chiquinho é ex-deputado federal pelo União Brasil.

“Por questões ideológicas, Marielle pretendia impulsionar projetos habitacionais voltados aos seguimentos populacionais de menor renda, de forma sustentável, o que contrariava os interesses dos irmãos Domingos e João Francisco”, disse o vice procurador-geral. “Marielle se projetou, dessa forma, como um risco aos interesses dos irmãos Brazão, que foram alertados por Laerte sobre as atividades”, completou.

Chateubriand concluiu a acusação ao afirmar que os réus devem ser condenados pelos crimes de organização criminosa e homicídio, além de serem obrigados a indenizar os familiares das vítimas e a assessora de Marielle, que estava no carro alvejado durante o crime e sobreviveu.

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“Comprovada a autoria e materialidade dos crimes pelos quais foram denunciados, o MPF requer a integral procedência da ação, o que inclui, também, a indenização a título de danos morais e materiais sofridos em decorrência das práticas delitivas”, defendeu o vice-procurador-geral.

Pontos da acusação

- Os irmãos Brazão começaram a estruturar, ainda nos anos 2000, uma organização criminosa com aliança de grupos milicianos em atividade no Município do Rio de Janeiro, especialmente nas regiões de Oswaldo Cruz, Jacarepaguá e Rio das Pedras

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- As atividades do grupo estavam ligadas ao exercício de controle, ocupação territorial e pelo parcelamento ilícito do solo urbano, por meio de violência, para exploração econômica

- Há provas “robustas” de que grupo praticava de forma sistemática crimes como extorsão e loteamento irregular

- Ações do PSOL, partido que Marielle integrava, prejudicaram os loteamentos irregulares que faziam parte dos planos da organização criminosa, em especial na área de Jacarepaguá. Sendo assim, tanto a vereadora quanto o então deputado Marcelo Freixo tornaram-se alvos do grupo

- Os irmãos Brazão seriam os líderes intelectuais do crime, enquanto os demais réus exerciam funções relevantes na estrutura criminosa

Julgamento

A 1ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) começou a julgar o caso às 9h30, em Brasília. A sessão conta com a presença das defesas dos réus, além de familiares, políticos e ativistas que reivindicam a condenação dos acusados.

Em coletiva no tribunal antes do início da sessão, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou que o julgamento é uma “resposta à democracia”.

“Não tem o que comemorar. O que minha família está passando hoje é uma exceção que deveria ser a regra. Essa é uma resposta para a democracia e para aquelas pessoas que ainda acham que nenhum crime deve ficar impune”, pontuou Anielle.

Réus

- Chiquinho Brazão, ex-deputado federal;

- Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro;

- Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil;

- Ronald Paulo de Alves, ex-policial militar;

- Robson Calixto Fonseca, ex-assessor do tribunal.

(R7)




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