
Redação, Porto Velho RO, 07 de maio de 2026 - Sete em cada dez gestores de escolas públicas brasileiras enfrentam dificuldades para lidar com casos de violência dentro do ambiente escolar. A constatação aparece em pesquisa realizada pela Fundação Carlos Chagas (FCC), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), revelando um cenário preocupante marcado por bullying, racismo, capacitismo e conflitos recorrentes entre estudantes.
O levantamento ouviu 136 gestores de 105 escolas públicas em dez estados brasileiros e apontou que 71,7% dos entrevistados consideram o enfrentamento à violência o principal desafio da gestão escolar atualmente. Além disso, 67,9% relatam dificuldades na aproximação entre escola, famílias e comunidade, enquanto 64,1% apontam problemas no relacionamento entre os próprios alunos.
Segundo o pesquisador Adriano Moro, coordenador do estudo, muitas situações de agressão acabam sendo naturalizadas dentro das unidades de ensino, principalmente quando adultos tratam ofensas e humilhações como “brincadeiras”. O problema, segundo ele, dificulta intervenções rápidas e aprofunda o sofrimento das vítimas.

A pesquisa também mostra que mais da metade das escolas nunca realizou um diagnóstico estruturado sobre o clima escolar, ferramenta considerada essencial para identificar conflitos e criar políticas permanentes de prevenção. Em muitos casos, diretores e coordenadores acabam sobrecarregados, atuando apenas para conter crises imediatas.
Outro dado que chama atenção é a dificuldade em desenvolver o sentimento de pertencimento dos estudantes. Para especialistas, ambientes hostis favorecem evasão escolar, baixo rendimento e aumento da violência emocional entre adolescentes. A ausência de apoio psicológico e a carência de profissionais capacitados agravam ainda mais a situação.

Diante do avanço dos conflitos nas escolas brasileiras, o MEC anunciou a criação de um novo Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, voltado à prevenção da violência e fortalecimento do diálogo entre professores, alunos e famílias. O governo federal também recriou um grupo de trabalho para elaborar políticas de combate ao bullying e ao preconceito nas escolas públicas.
Fonte: noticiastudoaqui.com