No Brasil, Fundo Partidário banca item de luxo, reforma e até avião



De cada R$ 10 recebidos pelos partidos políticos brasileiros, R$ 1 foi gasto de forma inadequada ou questionável

 

Segundo relatórios analisados pela Justiça Eleitoral referentes ao ano de 2015 — trata-se do dado mais recente disponível —, de cada R$ 10 recebidos pelos partidos políticos no Brasil, R$ 1 foi gasto de forma inadequada ou questionável. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Entre as despesas apontadas como irregulares pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estão compras de itens de luxo, festas, reformas em imóveis de dirigentes das legendas, viagens, pagamentos em duplicidade e honorários para advogados de réus na Lava Jato. Também há indícios de falsidade ideológica.

Toda a movimentação do Fundo Partidário de 2015 ainda está passível de apreciação pelo TSE. Naquele ano, dos R$ 811 milhões disponibilizados às siglas, quase R$ 77 milhões foram gastos considerados irregulares. Nenhum partido passou ileso pela avaliação da Justiça Eleitoral: 20 tiveram as contas reprovadas e outros 13 foram aprovados “com ressalvas”.

Enquanto algumas agremiações tiveram indícios de irregularidades em menos de 1% dos recursos que receberam, outras aplicaram metade do dinheiro de forma questionável, segundo o TSE.  Depois da apresentação das contas, a área técnica do tribunal faz uma análise e as legendas devem apresentar justificativas. Vencida essa etapa, as prestações de contas vão, enfim, a julgamento.

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Quando a irregularidade é confirmada, o partido é obrigado a devolver os recursos, que são depositados novamente no Fundo Partidário. Entretanto, os envolvidos só são penalmente responsabilizados se o suposto crime for doloso (intencional), signifique enriquecimento ilícito e represente lesão ao patrimônio do partido. Nesse caso, uma eventual ação tem de ser apresentada pelo Ministério Público Eleitoral.

Segundo o jornal, o Pros é o partido que mais gastou dinheiro do Fundo Partidário de forma irregular (R$ 10,7 milhões). A legenda fez um investimento de mais de R$ 3 milhões na compra de aeronaves — os gastos com manutenção e combustível passaram de R$ 140 mil.

O PT, como não poderia deixar de ser, teve suas contas reprovadas por não comprovar satisfatoriamente o gasto de R$ 8,3 milhões. Desse montante, quase R$ 500 mil foram desembolsados pelo partido para pagar advogados políticos enrolados na Lava Jato, que se tornaram réus na Justiça.

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Segundo o TSE, os serviços advocatícios não tinham vínculo com a atividade partidária. “Constitui irregularidade grave, na medida em que recursos públicos estão sendo utilizados ao amparo de causas individuais e personalíssimas, de evidente afronta aos princípios da administração pública”, diz a Justiça Eleitoral.

Em nota, o PT afirmou que apresentou, em outubro do ano passado, um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o acórdão do TSE.

(revistaoeste)

 



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