
Redação, Porto Velho RO, 15 de março de 2026 - A reta final da gestão do governador Marcos Rocha começa a mostrar sinais claros de rearranjo político dentro da máquina pública estadual. Com menos de sete meses para o primeiro turno das eleições de 2026, aliados estratégicos começam a assumir cargos importantes no governo, num movimento interpretado por analistas como a formação de uma espécie de “governo compartilhado”.
Nos bastidores, a ampliação de espaço para integrantes e aliados do Partido Social Democrático — legenda hoje comandada por Rocha em Rondônia — coincide com o fortalecimento político de nomes ligados ao projeto de sucessão estadual. Entre eles está o prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, apontado como um dos principais nomes do grupo governista para disputar o Palácio Rio Madeira.

Embora o discurso oficial sustente que as escolhas são estritamente técnicas, o peso político das nomeações é difícil de ignorar. O próprio Expedito Júnior, uma das figuras mais influentes do PSD no estado, afirma que todos os novos secretários foram escolhidos diretamente pelo governador, sem indicação formal do partido.
Ainda assim, o cenário indica uma sintonia política evidente. Para áreas estratégicas como Finanças e Educação, foram escolhidos profissionais considerados técnicos e de confiança do governo. Já na Saúde, uma das pastas mais complexas da administração estadual, assumiu o neurocirurgião Edilton Oliveira, médico reconhecido e ligado ao círculo político de Cacoal — cidade administrada por Fúria.
Mesmo sem filiação partidária, a proximidade regional e pessoal reforça a percepção de que a articulação política foi cuidadosamente alinhada entre o governador e seus aliados mais próximos.
Mudanças ainda devem continuar
As alterações recentes não configuram, oficialmente, uma grande reforma administrativa. No entanto, o movimento sinaliza que novas mudanças podem ocorrer nos próximos meses, especialmente em áreas estratégicas da administração estadual.
A tendência é que aliados do governo, incluindo lideranças que disputam vagas ao Senado, à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa, também passem a ter maior influência nas decisões e nos ajustes dentro da estrutura administrativa.
Eleição já pauta decisões políticas
A proximidade das eleições torna praticamente inevitável que decisões administrativas tenham impacto político. Embora o governador Marcos Rocha tenha afirmado diversas vezes que não pretende disputar o Senado em 2026, o fortalecimento da base aliada é visto como essencial para manter o grupo político no poder.
Nos bastidores da política rondoniense, a avaliação é clara: a disputa eleitoral já começou, mesmo que oficialmente ainda se fale em “pré-campanha”. Na prática, articulações, alianças e reposicionamentos dentro do governo indicam que a corrida pelos votos está em pleno andamento.
Faltando cerca de 200 dias para o primeiro turno, a reorganização política do governo mostra que a estratégia eleitoral do grupo governista já está sendo colocada em campo — com cargos, alianças e decisões administrativas funcionando também como peças de um tabuleiro eleitoral cada vez mais movimentado.
Fonte: noticiastudoaqui.com