
REFLEXÃO DE UMA JORNALISTA E MULHER TRANS:A FOLHA DE S.PAULO, ERIKA HILTON E AS MULHERES Blog da Jornalista Victoria Bacon
Victoria Bacon, mulher trans, jornalista e professora,aliás a primeira professora e jornalista trans em Rondônia. faz uma breve análise de dois artigos publicados na Folha de S.Paulo acerca da presença de uma mulher na presidência da Comissão da Mulher na Câmara Federal.
Desde as falas do apresentador Ratinho, do SBT, contra a deputada Erika Hilton, as redes sociais foram tomadas por discussões contra e a favor de uma mulher trans falando no Parlamento Federal pelas mulheres do Brasil. Essa não é uma discussão sobre quem pode e sim quem não pode. Erika é legalmente uma mulher de acordo com a legislação brasileira, porém não na biologia. Considerável parcela da esquerda atual condena o debate da presença da deputada Erika no comando de uma Comissão que representa mulheres na Câmara por não cumprir sua função social. Feministas estão há mais de uma década falando sobre a representação nos espaços da política no mundo inteiro e rechaçando a esquerda identitária.
Parem de achar que mulheres progressistas e de esquerda têm que concordar com a pauta trans em tudo, principalmente em ter pessoas trans como principal representante de mulheres cis. Todas as diferenças que mulheres sofrem decorre do sexo biológico. As mulheres cis(gênero) sofrem misogina desde sempr e o sofrimento da transfobia vem de outra origem social e cultural.
Erika chamou aqueles que não concordam com ela de imbecis e esgoto da sociedade. Não é porque defende-se coisas diferentes e pensamentos diferentes que aqueles que pensam diferente da deputada devem ser tratados como esgotos da sociedade.
Acredito que é possível sustentar esse debate com seriedade, responsabilidade e respeito, reconhecendo as diferenças sem abrir mão da precisão política que a construção de políticas públicas exige. A construção de uma subcomissão para mulheres trans seria o ideal.
A misoginia ainda não está tipificada como crime, porém já temos a transfobia capitulada como crime a partir de ação do STF na ADO 26 enquadrados na Lei nº 7.716 com penas de 2 a 5 anos.
Enfim, se somos todas mulheres porque as mulheres trans não são enquadradas no rol de criminalização da misoginia em vez da transfobia? Porque são crimes diferentes? Não! Mulheres transgênero” são aquelas que não se identifica com o gênero associado socialmente ao sexo biológico com que ela nasceu. Diferentemente da mulhere cis(gênero) quw se identifica com o gênero feminino que lhe foi baseado em seu sexo biológico.
Mulheres são como águas: quando se juntam, são impossíveis de serem contidas. Infelizmente a conta está aí. A reação da maioria esmagadora da sociedade em não aceitar a deputada Erika às representando é apenas o início!