PF investiga vazamento de possível obstrução da Justiça em Rondônia



PF investiga vazamento de possível obstrução da Justiça em Rondônia

Redação, Porto Velho RO, 18 de setembro de 2026 - A Polícia Federal, em atuação conjunta com o Ministério Público de Rondônia, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRO), deflagrou nesta sexta-feira (18) uma nova operação para investigar o possível vazamento de informações protegidas por segredo de Justiça e supostas manobras destinadas a dificultar uma investigação sobre organização criminosa em Rondônia. A ação ocorreu em Porto Velho e Ariquemes, onde são cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal de Justiça de Rondônia.

A apuração teve início em julho deste ano, depois que investigadores identificaram indícios de que informações sigilosas relacionadas à iminente deflagração da Operação Reduto teriam chegado ao conhecimento de pessoas que seriam alvo da ação policial na noite anterior ao cumprimento das ordens judiciais. O episódio levantou a suspeita de violação de sigilo funcional e abriu uma segunda frente de investigação para descobrir como os dados protegidos chegaram aos investigados.

Segundo as informações divulgadas pela PF e pelo MPRO, o avanço das diligências apontou também para possíveis ações coordenadas com o objetivo de dificultar o trabalho dos investigadores e preservar pessoas ou elementos que poderiam ser alcançados pelas medidas judiciais. Entre as condutas sob apuração estão a desocupação de imóveis, a ocultação ou substituição de aparelhos celulares e a formatação de dispositivos eletrônicos que poderiam armazenar informações relevantes para a investigação.

Outro ponto identificado pelos investigadores envolve a movimentação de uma antena de internet via satélite. Também está sob apuração uma tentativa de hospedagem utilizando o nome de terceiro, procedimento que, segundo a investigação, poderia ter sido utilizado para dificultar a localização de pessoas procuradas ou relacionadas aos fatos investigados.

A nova ofensiva das forças de segurança busca justamente reconstruir a chamada cadeia de transmissão das informações. O objetivo é descobrir de onde partiu o vazamento, quem teve acesso aos dados protegidos, como essas informações foram repassadas e quem eventualmente utilizou o conteúdo para antecipar movimentos ou dificultar o cumprimento das medidas judiciais. Os equipamentos e documentos apreendidos nesta sexta-feira deverão passar por análise pericial e poderão fornecer novos elementos para esclarecer a dinâmica dos fatos.

A investigação também procura estabelecer se houve uma ação coordenada para preservar possíveis envolvidos e eliminar ou dificultar o acesso a provas. A formatação de celulares, por exemplo, é uma das circunstâncias que deverá ser examinada pelos peritos, especialmente para verificar a existência de vestígios digitais que possam contribuir para identificar comunicações, contatos e a eventual circulação das informações sigilosas.

O caso está diretamente relacionado aos desdobramentos da Operação Reduto, deflagrada anteriormente em Rondônia. Na nova etapa, entretanto, o foco não é apenas o conteúdo da investigação original, mas principalmente a possível quebra do sigilo que antecedeu aquela operação e as condutas que teriam ocorrido depois que os alvos tomaram conhecimento da ação policial.

A Operação Reduto investiga suspeitas relacionadas a crimes como fraude em licitações, peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Conforme informações divulgadas sobre aquela investigação, houve medidas como buscas, prisões, afastamentos e bloqueio de bens e valores. A suspeita de que informações sobre a operação tenham sido antecipadas adicionou uma nova dimensão ao caso, agora concentrada na preservação do sigilo e na eventual interferência no trabalho das autoridades.

Os 11 mandados de busca e apreensão cumpridos nesta sexta-feira foram autorizados pelo Tribunal de Justiça de Rondônia e abrangem endereços em Porto Velho e Ariquemes. As medidas têm caráter investigativo e buscam reunir elementos capazes de esclarecer a origem do vazamento, identificar a eventual participação de pessoas com acesso privilegiado às informações e verificar a existência de uma possível rede de transmissão dos dados protegidos por segredo judicial.

A investigação apura, em tese, os crimes de violação de sigilo funcional, obstrução de investigação de organização criminosa e fraude processual. A definição das responsabilidades, contudo, dependerá da análise do material apreendido, dos dados digitais recuperados e das demais provas produzidas ao longo da investigação.

A Polícia Federal e o Ministério Público de Rondônia destacam que a apuração continua e que as medidas desta sexta-feira têm como finalidade reunir elementos probatórios para esclarecer integralmente os fatos. Ser alvo de busca e apreensão ou estar sob investigação não significa condenação ou comprovação de crime, cabendo às autoridades reunir provas e à Justiça analisar eventual responsabilidade individual dos investigados.

Fonte: noticiastudoaqui.com




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