Partilho com o leitor a emoção que senti ao ver, neste momento, um belo documentário sobre Margaret Mee, feito por brasileiros. Quando girei pelos canais, o documentário já estava em curso no Prime Box Brasil. Vou tentar vê-lo por inteiro. Margaret Mee fez 12 excursões para ver, sentir e pintar flores da Amazônia, ao longo do meio século no qual mais se destruiu floresta na história da humanidade. Com sua tenacidade, disciplina, sensibilidade e energia, ela salvou para nós plantas que talvez já desapareceram nessa devastação insana.
Seus desenhos combinam ciência e arte, unidas por emoção e amor. Seus desenhos contêm a vida das plantas que ela observou e a vitalidade dessa mulher excepcional, um ser humano notável, único, uma das melhores contribuições inglesas para tentar mostrar aos brasileiros, e, em particular, à gente da Amazônia, o dano irreparável que a destruição da floresta já causou e continuará a causar.

Aos 79 anos, ela continuava a singrar os labirintos aquáticos da região à cata dos exemplares botânicos mais notáveis. Voltaria sempre à Amazônia se não tivesse morrido num acidente de carro, uma trágica ironia urbana para quem desafiou tantas vezes a jungle.
O documentário é um tributo à altura da personagem, que conheci em Belém, numa de suas passagens entre Londres, Rio de Janeiro e o Amazonas. A floresta amazônica pulsa, viva, nos mais deslumbrantes desenhos de vegetais que conheço. Um universo que só Margaret Mee, sendo como era, poderia criar.
LÚCIO FLÁVIO PINTO
Belém (PA)