Com apoio do Ministério da Cultura, Porto Velho deverá iniciar brevemente a construção do Museu Internacional Madeira-Mamoré Trilhos e Sonhos.
De Brasília, onde se encontra desde a semana passada, o presidente da Associação de Preservação do Patrimônio Histórico e Amigos da Madeira-Mamoré (Amma), arquiteto Luiz Leite de Oliveira dá a boa nova:
– O projeto agora se viabiliza e vai consolidar um trabalho pelo qual nos esforçamos e lutamos há muitos anos.
Recebido pelo presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Marcelo Mattos, Luiz Leite pediu apoio ao Museu, cuja sede fica em prédio cedido na gestão Confúcio Moura, na esquina das ruas Henrique Dias e Euclides da Cunha, no Centro antigo de Porto Velho.
– Fiz ver ao Ibram que a obra abrigará um acervo de alto nível do qual já dispomos, mas que exigirá digitalização total, equipamentos de som, luz e imagem, além da liberação do prédio.
Segundo ele, a audiência no Ibram aconteceu "graças à boa vontade, carinho e compreensão histórica do ministro da Cultura, Sérgio Leitão". Justificou: "Quando ele esteve aqui, pediu que eu fosse a Brasília apresentar o projeto e me candidatar ao apoio oficial".
Agora, uma equipe do Ibram virá a Porto Velho para conhecer a situação do prédio e o acervo mantido há anos pelo arquiteto, incluindo documentação e fotos até então inéditos, além do farto material já conhecido no País e no Exterior pelos estudiosos da construção da estrada de ferro extinta em julho de 1972.
– Essa conquista para o reconhecimento do Museu se deu em pouco tempo e a nós todos surpreende – afirmou hoje (27) por telefone Luiz Leite emocionado.
TRILHOS E SONHOS

O presidente da Amma apresentou à direção do Ibram o seu filme, já exibido no cinema da Universidade de São Paulo (USP), em 2017, a convite daquela instituição.
O delírio – Dreams and tracks mostra índios, floresta e a construção do trem, no início do século passado, mesclando música popular brasileira de qualidade com imagens daquele período.
– Entramos de sola no aspecto das águas amazônicas represadas em Porto Velho a ponto de provocarem o primeiro grande dilúvio, um tsunami no rio Madeira, após a construção das hidrelétricas Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira e afluentes – ele diz.
Também narra no documentário o infortúnio da perseguição a ribeirinhos, índios, destruição de cardumes de peixes, de animais e da floresta amazônica. "Tudo se somando à dor causada pelo assalto ao patrimônio do trem dilapidado e enferrujado, mesmo assim, haveremos de reconquistar”, ele acrescenta.

MONTEZUMA CRUZ