Pedágio cobrado por indígenas entre Vilhena e Juína tem valores aumentados para 2024, líder de etnia justifica cobrança



Valor chega a R$ 100 e aumento chegou a dobrar preço de algumas categorias de veículos

 

A etnia Enawenê-Nawê divulgou comunicado nesta semana, onde informa novos valores para o pedágio na rodovia BR-174 entre as cidades de Juína, no Mato Grosso, e Vilhena, em Rondônia. Dividido em categorias de veículos, a tabela varia de R$ 40 a R$ 100 (veja lista completa abaixo). A maior parte da rodovia não é asfaltada e atualmente recebe manutenção do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
 
Segundo os indígenas, os valores passarão a valer em 2024. Para carretas, o preço, que era R$ 75, agora será R$ 100. Caminhões menores, tipo “transporte frete”, também deixarão de pagar R$ 75 e terão de desembolsar R$ 100. As caminhonetes terão reajuste de 50%: até 31 de dezembro deverão pagar R$ 50 e depois o valor será R$ 75. Por sua vez, motocicletas terão o maior aumento percentual. A “taxa de passagem” de R$ 20 foi aumentada para R$ 40. Não ficou claro em qual categoria se enquadram os veículos de passeio ou utilitários, muito menos máquinas agrícolas ou vans e ônibus.
 
Polêmica há muitos anos, a cobrança é justificada pelo líder da etnia. “Nós, Enawenê-nawê, ficamos pacíficos com os brancos. Ninguém mexe com os brancos. Essa estrada entra em área nossa, área indígena. Entra em área indígena sem licenciamento. Por isso, nós cobramos”, afirmou o líder em entrevista à TV Centro América, do Mato Grosso.
 
Indígenas também afirmam que os peixes que consumiam foram mortos ou acabaram depois da instalação de barragens de usinas hidrelétricas no rio Juruena. O pedágio seria uma forma de compensar esse prejuízo, visto que agora eles precisam comprar os peixes congelados nas cidades.
 
A área indígena tem mais de 742 mil hectares espalhada entre os municípios de Juína, Sapezal e Comodoro. No local há 737 nativos. Porém, quando do primeiro contato com brancos, sua população era de apenas 120.
 
De Juína até o ponto onde os índios estão cobrando pedágio são 120 km de estrada de terra. Vários conflitos e crimes já foram relatados. Em 2015 dois homens chegaram a ser mortos e a Polícia Federal afirmou que alguns dos integrantes da tribo são acusados de receptação de veículos roubados, comprando veículos avaliados em mais de R$ 100 mil por apenas R$ 17 mil.
 
Em 2014, quando do início da cobrança, o FOLHA DO SUL ON LINE divulgou trechos da carta dos indígenas que anunciava o pedágio e suas motivações. Os valores eram menores na época.

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(folhadosul)
 

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