Festival Internacional de Chocolate acontece até domingo, dia 29

O primeiro dia do Festival Internacional de Chocolate – AL-INVEST Verde, realizado nesta sexta-feira (27), no Porto Velho Shopping, foi menos sobre vitrines e mais sobre histórias. Entre estandes e degustações, o público que passou pelo espaço encontrou algo além do produto final: conheceu quem planta, quem transforma e quem aposta no cacau como caminho de vida em Rondônia.
Com expositores locais e programação aberta ao público, o evento marcou o início de uma agenda que conecta produção, conhecimento e experiência, especialmente em um momento em que o cacau ganha destaque como alternativa econômica sustentável no estado.
Produção com identidade e cuidado em cada etapa
Para quem trabalha com chocolate artesanal, qualidade não é apenas um diferencial, mas um processo. É assim que a chocolateira Jhanne Franco, que atua desde 2020, define seu trabalho. Com formação em agronomia e especialização em chocolataria, ela acompanha de perto todas as etapas da produção. “A gente foca na qualidade do produto e acompanha todo o processo junto aos produtores locais. Isso garante um chocolate com identidade e muito mais controle sobre o que está sendo entregue”, explicou.
Entre as várias expositoras está Selma Targa. Produtora de cacau desde 2018, ela assumiu sozinha a condução da lavoura após a perda do pai e, nos últimos anos, passou a dominar todas as etapas da produção, do cultivo ao chocolate.
O reconhecimento veio com a conquista do segundo lugar com a melhor amêndoa de cacau do estado, resultado de um processo que ela mesma define como técnico e desafiador. “É um caminho longo, desde o cuidado com a lavoura até a fermentação e a secagem. Quando a gente chega em uma premiação assim, tem a certeza de que aprendeu a fazer e que todo esforço valeu a pena”, afirmou.
Cacau vai além do alimento
Se para alguns o cacau vira chocolate, para outros ele se transforma em novas possibilidades. A empreendedora Jaqueline Freire levou ao festival uma proposta diferente: cosméticos produzidos a partir de bioativos amazônicos, incluindo o cacau.
A produção é feita dentro da floresta e envolve comunidades locais, com foco em sustentabilidade e geração de renda. “A gente trabalha com ativos da Amazônia e valoriza quem está na base da produção, especialmente mulheres. O cacau entra como mais um elemento dentro dessa cadeia que respeita a natureza”, destacou.
A relação com o meio ambiente também está no centro do trabalho da produtora Melissa Almeida, uma das primeiras a investir na produção de chocolate na região. Com base na agroecologia, ela aposta em uma cadeia mais consciente, que inclui desde o cultivo até a embalagem. “A gente não pensa só no sabor. Existe uma preocupação com o solo, com o meio ambiente e até com as embalagens, que são biodegradáveis. É um produto que carrega essa responsabilidade”, afirmou.
Para o diretor administrativo financeiro do Sebrae em Rondônia, Edson Lemos, o festival representa a consolidação de um trabalho estruturado ao longo dos últimos anos. “Esse é o momento de mostrar ao público o que foi desenvolvido dentro da cadeia do cacau em Rondônia. É uma forma de valorizar o produto local e reconhecer a qualidade do que está sendo produzido aqui”, disse.
Ao sediar o evento, o Porto Velho Shopping se transforma em ponto de encontro entre quem produz e quem consome. Mais do que um espaço de circulação, o local passa a funcionar como vitrine para a produção regional. “O festival aproxima a comunidade dos produtores locais, permitindo que as pessoas conheçam a origem dos produtos e valorizem o que é feito em Rondônia. É uma conexão importante, que fortalece toda a cadeia”, destacou o superintendente do Porto Velho Shopping, Bruno Vianna.
O Festival Internacional de Chocolate segue até domingo (29), com programação aberta ao público no Porto Velho Shopping, reunindo expositores, degustações e experiências que colocam o cacau de Rondônia no centro das atenções.

Assessoria