Redação, Porto Velho RO, 18 de maio de 2026 - A Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd) voltou ao centro das discussões sobre gestão pública e crise financeira após o Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) aprovar as contas da estatal, mesmo diante de um passivo bilionário acumulado ao longo dos últimos anos. A decisão reacende o debate sobre a sustentabilidade da companhia e os desafios enfrentados pelo setor de saneamento no estado.
Segundo informações divulgadas pelo site Valor & Mercado RO, a Caerd acumula uma dívida superior a R$ 1,3 bilhão, situação que levou o TCE a discutir medidas de reestruturação administrativa e financeira da empresa. Entre as alternativas em andamento está o reconhecimento oficial da estatal como empresa dependente do governo estadual, o que permitiria maior suporte financeiro e controle orçamentário.
Apesar do cenário crítico, o Tribunal de Contas entendeu que há um plano de ação em desenvolvimento para tentar recuperar a capacidade operacional da companhia. O processo inclui a assinatura de um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG), firmado entre órgãos estaduais, Procuradoria-Geral do Estado, Controladoria, secretarias estratégicas e a própria Caerd. O objetivo é ampliar a transparência, melhorar a governança e reorganizar financeiramente a estatal.
A crise financeira da companhia, entretanto, envolve uma série de problemas históricos. Relatórios do TCE apontam dificuldades de arrecadação, crescimento contínuo do endividamento, passivos trabalhistas, débitos tributários e dívidas milionárias com fornecedores, incluindo contas de energia elétrica acumuladas há décadas.
Além das dificuldades financeiras, a Caerd também enfrenta investigações e auditorias relacionadas a contratos milionários. O Tribunal de Contas mantém sob análise acordos de consultoria que somam quase R$ 74 milhões, após suspeitas de sobreposição de serviços e possível prejuízo aos cofres públicos. Os pagamentos seguem bloqueados preventivamente enquanto o caso é investigado.
Mesmo diante do quadro delicado, o entendimento técnico do TCE foi de que ainda existem condições para adoção de medidas corretivas sem necessidade imediata de reprovação das contas. O tribunal, porém, mantém acompanhamento permanente sobre a execução do plano de recuperação e o cumprimento das metas estabelecidas pelo acordo de gestão.
A situação da Caerd ocorre em meio à pressão nacional pela ampliação do saneamento básico e pela universalização do acesso à água tratada e coleta de esgoto. Em Rondônia, especialistas apontam que a recuperação financeira da estatal será decisiva para garantir investimentos, melhorar os serviços prestados à população e evitar agravamento da crise estrutural no abastecimento de água em diversos municípios do estado.
Fonte: noticiastudoaqui.com