
Redação, Porto Velho RO, 09 de abril de 2026 - A Guiana está acelerando a construção de uma rodovia estratégica que promete transformar a logística do Norte do Brasil, em um projeto financiado pelos chamados “petrodólares” — recursos oriundos da exploração de petróleo que vêm impulsionando a economia do pequeno país sul-americano.
A obra prevê a pavimentação de cerca de 680 quilômetros entre a cidade de Lethem, na fronteira com o Brasil, e a capital Georgetown, criando um corredor direto até o Oceano Atlântico.

O projeto é visto como uma alternativa ao modelo logístico atual brasileiro, que depende fortemente de longas rotas fluviais pela Amazônia. Hoje, cargas do Norte precisam percorrer centenas de quilômetros por rios até portos como Manaus ou Belém, o que encarece e prolonga o transporte.
Com a nova estrada, a expectativa é reduzir significativamente o tempo de viagem. Estimativas indicam que o trajeto até o Canal do Panamá pode ser encurtado em até oito dias, aumentando a competitividade de produtos como soja e milho produzidos na região Norte.
O avanço acelerado da obra contrasta com projetos históricos brasileiros, como a rodovia Transamazônica, iniciada há décadas e ainda marcada por trechos inacabados e dificuldades de trafegabilidade, especialmente no período de chuvas.

A transformação da Guiana tem como base a exploração de grandes reservas de petróleo descobertas nos últimos anos. O país, com cerca de 800 mil habitantes, tornou-se um dos que mais crescem no mundo, utilizando os royalties para financiar infraestrutura, incluindo estradas e portos.
Além da logística, o projeto também fortalece a integração econômica entre Brasil e Guiana. O comércio bilateral cresceu rapidamente, saltando de cerca de US$ 600 mil em exportações de Roraima para o país vizinho em 2019 para aproximadamente US$ 50 milhões anuais atualmente.
Apesar do avanço, ainda existem desafios, como a ausência de um acordo formal que permita o livre trânsito de caminhões entre os dois países. Atualmente, as cargas precisam ser transferidas na fronteira, o que limita parte do ganho logístico.

A expectativa é que, com a conclusão da rodovia nos próximos anos, o corredor Brasil–Guiana se torne uma nova rota estratégica de exportação, reconfigurando o mapa logístico da Amazônia e ampliando o acesso do país aos mercados internacionais.
Fonte: noticiastudoaqui.com