A duas semanas do primeiro turno, as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) entram em uma nova fase da corrida pelo Palácio do Planalto. Com o calendário eleitoral apertado, os dois candidatos vão ampliar as viagens pelo país e mirar, sobretudo, regiões consideradas estratégicas para a disputa.
Do lado de Flávio, a semana começa pelo Nordeste. O candidato terá compromissos nesta segunda-feira (21/9) no Rio Grande do Norte, com atividades previstas em Parnamirim e Natal. A programação inclui atos de rua ao lado de aliados locais. Na terça-feira (22), o senador desembarca no Maranhão.
A passagem pelos dois estados dá continuidade à tentativa da campanha de aumentar a exposição de Flávio em uma região na qual Lula mantém vantagem expressiva. No Datafolha divulgado neste mês, por exemplo, o presidente aparece com 61% das intenções de voto em Pernambuco, contra 30% do adversário em uma simulação de segundo turno.
Encerrada a passagem pelo Nordeste, a campanha do PL volta as atenções ao Sudeste. Flávio deve permanecer em Minas Gerais na quarta e na quinta-feira e seguir para o Rio de Janeiro na sexta. Minas é tratada com atenção especial pelos dois QGs: levantamento do Datafolha mostrou Lula com 46% e Flávio com 45% no estado em eventual segundo turno, diferença dentro da margem de erro.
A estratégia bolsonarista passa, portanto, por combinar incursões em territórios onde Lula tem maior força eleitoral com uma ofensiva mais intensa nos grandes colégios do Sudeste. Em Minas, Flávio também deve dividir agenda com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Lula, por outro lado, começa a semana distante do circuito doméstico da campanha. O presidente está em Nova York para participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Hoje, tem encontro previsto com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani. O petista discursará na ONU na terça-feira (22), antes de retornar ao Brasil.
De volta ao país, Lula deve retomar imediatamente as agendas de caráter político-eleitoral. Um dos compromissos previstos é um encontro com artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, evento que deve reunir nomes da cultura próximos ao presidente.
Pernambuco entra no radar
A campanha petista também trabalha para encaixar uma passagem de Lula por Pernambuco antes do primeiro turno. Ainda não há definição sobre data, cidade ou formato da agenda, mas a movimentação ocorre em meio à disputa acirrada pelo governo estadual e à tentativa de João Campos (PSB) de reforçar sua associação política com o presidente.
A presença do chefe do Executivo representaria uma mudança na cautela adotada até aqui pelo núcleo presidencial em estados onde mais de um palanque procura se associar ao petista. Em Pernambuco, a movimentação ganha peso adicional diante dos números da disputa estadual.
No Datafolha divulgado em 11 de setembro, Raquel Lyra (PSD) registrou 47% das intenções de voto, enquanto João Campos apareceu com 42%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. O levantamento ouviu 1.204 eleitores pernambucanos entre 8 e 10 de setembro e está registrado na Justiça Eleitoral sob os números PE-04411/2026 e BR-05923/2026.
Para a campanha de Campos, uma visita presidencial na reta final serviria para tornar mais explícita a vinculação com Lula em um estado onde o presidente mantém forte desempenho eleitoral. O desafio do QG petista será fazer esse movimento sem ampliar atritos entre aliados locais justamente quando a campanha nacional passa a concentrar esforços nos últimos dias antes das urnas.
(correio braziliense)