Mais um estado mexicano aprova descriminalização do aborto



Oaxaca é a segunda região do México, além da capital, a permitir a interrupção voluntária da gestação até as 12 semanas

O legislativo de Oxaca, no sul do México — uma das regiões mais pobres e desiguais do país — aprovou a descriminalização do aborto nesta quarta-feira (26). De acordo com El País, 24 dos 41 deputados votaram a favor dos direitos das mulheres, tornando o estado a segunda unidade federativa mexicana, depois da capital, a permitir a livre interrupção da gravidez até as 12 semanas de gestação. A medida deve entrar em vigor no próximo mês.

Segundo o partido Morena (Movimento de Regeneração Nacional), mais de 9 mil mulheres se submetem a abortos clandestinos a cada ano em Oaxaca. Desde 2016, 20 mulheres foram encarceradas por esse crime e as complicações decorrentes dos abortos ilegais são a terceira principal causa de morte entre as mulheres. 

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Em entrevista ao jornal, Regina Tamés, diretora da organização GIRE (Grupo de Informação em Reprodução Escolhida), disse que está “em choque”. “Depois que a capital aprovou, há 12 anos, houve muitas outras tentativas em legislativos locais, e todas fracassaram. E realmente não tínhamos muita esperança de que esta pudesse conseguir. Lançaram um sinal muito importante para o resto do país”, comemorou.

Neste momento, a reforma aprovada para o Código Penal de Oaxaca contradiz o que estipula a Constituição local. Os promotores da medida, deputados dos partidos Morena, Partido do Trabalho e Mulheres Independentes esperam que a solução seja pela via judicial. Um recurso à Suprema Corte, que já estabeleceu jurisprudência a favor dos direitos das mulheres, pode abrir caminho para a medida. Porque de outra maneira, com os votos emitidos a favor nesta quarta-feira, a conta não fecha para reformar a Carta Magna, pois são necessários dois terços do total, ou seja, 28 deputados. “Em todo caso, mesmo sem a Constituição do nosso lado por enquanto, Oaxaca deu um passo definitivo pelas mulheres deste Estado”, declarou a deputada Hilda Pérez Luis (Morena). Ela afirmou ainda que, daqui a duas semanas, nenhuma instituição pública de saúde poderá se negar a realizar um aborto voluntário de gestante com até 12 semanas, apesar do que diz a Constituição. 

Fonte: Crescer 

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