Velha política congela orçamento e mostra a Bolsonaro: governo não se resume a xingamentos



Uma das plataformas eleitorais da vitória de Jair Bolsonaro foi a rejeição à velha política doa moral franciscana pervertida do "é dando que se recebe", celebrizada na boca do então deputado Roberto Cardoso Alves, o fundador do "centrão". A maioria dos eleitores entendeu que o ex-capitão iria combater a malta de predadores que engorda no Congresso Nacional, separando o joio do trigo para que a representação política da sociedade se tornasse mais eficiente, efetiva, séria, positiva.

Bolsonaro entendeu que, como presidente da República, deveria manter o seu comportamento de deputado federal por três décadas no "baixo: vituperar, agredir, ofender e dizer aos seus pares tudo que pensa (e, sobretudo, o que diz sem pensar). Não mais no conforto – e na irresponsabilidade – de oposicionista livre atirador, que não precisa dar consequência nem racionalidade à sua retórica. Protegido pelo alto cargo que passou a ocupar e na trincheira confortável da internet, armado do seu celular, posicionado no alto da sua supremacia, tem atirado a esmo, como se fosse atirador isolado (com o agravante de se sentir senhor do universo – intergalático).

Ausente da arena de combate e vítima da sua própria parlapatice, Bolsonaro foi atingido, ontem, por um petardo poderoso. O presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, foi ao arquivo e trouxe de lá um projeto de lei que parecia condenado à morte, arrancou sua aprovação a jato e assim respondeu ao bombardeio cibernético do presidente com o congelamento de 93% (segundo um cálculo) ou 97% (por outra avaliação) do orçamento.

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O executivo só poderá repassar esse dinheiro todo segundo destinação pré-estabelecida no orçamento. Para os parlamentares, o acesso a esses recursos dobrou – de 4 bilhões de reais para R$ 8 bilhões. Em época de crise, o executivo fica manietado, com pouca capacidade de resposta a eventualidades.

Não foi uma nova política que venceu, ao contrário do que anunciaram os vencedores de ontem. Foi a velha política – graças à incompetência de Jair Messias Bolsonaro.

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LÚCIO FLÁVIO PINTO
Belém (PA)

 
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