Marina resiste à semana turbulenta com derrotas no Congresso



Ministra do Meio Ambiente venceu, por enquanto, queda de braço com Petrobras, mas perdeu poder com MP dos Ministérios

 
Notícias no WhatsApp
Receba as notícias de Porto Velho e Rondônia no seu celular.
Entrar no grupo

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, resistiu no cargo depois de uma semana turbulenta: enfrentou uma queda de braço com a Petrobras e viu o esvaziamento de seu ministério no Congresso Nacional. Na 6ª feira (26.mai.2023), encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outros ministros, que saíram da reunião afirmando que trabalharão para reverter as mudanças feitas na MP (medida provisória) da Esplanada.

​​​​​​Por inconsistências preocupantes”, o Ibama indeferiu em 17 de maio uma licença ambiental à estatal para realizar testes de perfuração na Margem Equatorial. Localizada a 179 km de distância da costa do Amapá e a 500 km da foz do rio Amazonas, a região é um dos principais focos de campanha exploratória no Plano Estratégico 2023-2027 da empresa.

A decisão foi criticada por políticos do Amapá com projeção, como o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do líder do Governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (sem partido-AP).

O senador Randolfe Rodrigues deixou a Rede, partido fundado por Marina, na 5ª feira (18.mai.2023), um dia depois do veto à exploração de petróleo na margem equatorial.

Em 23 de maio, Marina Silva, ganhou um dos rounds do imbróglio entre o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e a Petrobras depois de reunião com ambos.

O encontro foi mediado pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, para tentar chegar a um acordo da ala ambiental do governo com a ala que defende a perfuração que a estatal quer fazer como teste na Margem Equatorial Brasileira, região que abrange a foz do rio Amazonas.

De acordo com a ministra, ficou decidido no encontro que a decisão do Ibama seria mantida e que o instituto ambiental seguirá normas legais que exigem a realização da avaliação ambiental estratégica para pedidos de licenciamento para novas áreas de exploração de petróleo ou projetos de altíssima complexidade.

Dois dias depois, a Petrobras apresentou um novo pedido de licença ao Ibama para perfuração de um poço de petróleo na bacia da Foz do Amazonas. O instituto ambiental havia negado a licença em 17 de maio. O ofício foi enviado ao presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho. Eis a íntegra (303 KB).

REVÉS NO CONGRESSO

O relatório da MP que reorganiza a estrutura do governo retira poderes do Ministério do Meio Ambiente. Se o parecer do deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL) prevalecer no Senado, a pasta perderá áreas estratégicas dentro do governo. Eis a íntegra do documento (914 KB).

O texto retira do Meio Ambiente a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), que passa para o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, comandado por Waldez Góes. O ministro é filiado ao PDT, mas foi indicado ao cargo por influência do União Brasil.

Depois da derrota na comissão mista, Lula convocou uma reunião na 6ª feira (26.mai) com Marina e outras ministras que tiveram prerrogativas derrubadas pelos deputados e senadores.

Com o encontro, outra vitória de Marina. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, disse que o governo trabalhará para reverter as mudanças feitas na medida provisória de reestruturação da Esplanada dos Ministérios.

Segundo ele, as alterações em relação ao que foi enviado pelo governo são a minoria do projeto e serão o foco do Planalto para reverter nas próximas etapas de tramitação. O próximo passo é o plenário da Câmara.

Segundo o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, entretanto, mesmo com mudanças o governo terá força e condições de pôr em prática seu plano político, com a sustentabilidade no foco das políticas públicas.

“São pontos importantes, são pontos relevantes, que nós vamos continuar conversando Congresso Nacional. Mesmo com essas mudanças não impedem a implementação do programa de governo do presidente Lula e da sua ação onde coloca a sustentabilidade ambiental no centro da agenda de desenvolvimento econômico”, disse Padilha.

Apesar de ter sobrevivido a essa semana, os desafios de Marina no ministério do Meio Ambiente ainda não estão perto de acabar. As chances de o governo conseguir reverter integralmente as decisões dos congressistas não são das maiores, já que a grande prioridade é que a MP não perca a validade.

O parecer deve ser aprovado pelo Senado. Dentre outros pontos, o texto transfere a competência para demarcar terras indígenas da pasta comandada por Guajajara para o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Para a ministra, a mudança é um “esvaziamento da pauta principal do ministério”.

(Pode360)



Noticias da Semana

Veja +