Pulverização da esquerda e projetos pessoais ameaçam reeleição de Confúcio Moura em Rondônia; ele cogita renunciar




A disputa pelas cadeiras no Congresso Nacional e no Poder Executivo em Rondônia atravessa um momento de inflexão que expõe a fragilidade, o apequenamento e o profundo divisionismo do campo progressista e de seus aliados no estado. O cenário de desarticulação coloca em xeque inclusive a continuidade da trajetória política do senador Confúcio Moura (MDB), cuja possível desistência de disputar a reeleição ao Senado virou pauta central nos bastidores do poder local.

Vitorioso em sucessivos pleitos ao longo de sua carreira, Confúcio Moura viu sua estratégia de consolidação ser frustrada pelas convenções partidárias. O emedebista projetava uma corrida em voo solo como o principal representante da base aliada do governo federal no estado, mas foi surpreendido por uma enxurrada de candidaturas lançadas justamente por partidos alinhados à esquerda. A oficialização de nomes como o do ex-senador Acir Gurgacz pelo PDT, de Neidinha Suruí pelo PSB e da jornalista Luciana Oliveira com o apoio do PT pulverizou o eleitorado e minou o projeto de candidatura única.

image.png


Em vez de construírem um bloco coeso e programático capaz de dialogar de forma eficiente com o eleitorado rondoniense, as legendas e lideranças da região preferiram fragmentar forças em favor de ambições de poder estritamente pessoais. Esse racha interno escancara o apequenamento ideológico de um setor que falha em se reorganizar regionalmente, sacrificando alianças estratégicas em prol de rivalidades paroquiais e espaços individuais nas urnas.

Para agravar o quadro de desgaste, o posicionamento público de Confúcio Moura gera fortes ruídos junto ao eleitorado. Em um estado de perfil marcadamente conservador e voltado ao agronegócio, declarações enfáticas de alinhamento irrestrito ao Executivo nacional — sintetizadas no recorrente lema de que se orgulha do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — soam para parcela expressiva da população como uma profunda desconexão com a realidade local. Para esse eleitorado, tais proclamações alimentam um sentimento de frustração e afastamento, sendo vistas mais como um ato de blindagem política e busca por sustentação em Brasília do que como um compromisso real com os anseios de Rondônia.

Pressionado pela divisão promovida pelos próprios aliados, o parlamentar tenta costurar acordos de última hora para unificar o apoio ao seu nome. Caso as negociações fracassem e a dispersão persista, a tendência é que o senador oficialize a renúncia à disputa, podendo redirecionar seu grupo político para apoiar a pré-candidatura de Vilma, militante histórica do MDB, à Câmara Federal. O desfecho dessa crise expõe uma esquerda rondoniense enfraquecida, refém do personalismo e distante das ruas.

Fonte: noticiastudoaqui.com



Notícias no WhatsApp
Receba as notícias de Porto Velho e Rondônia no seu celular.
Entrar no grupo

Noticias da Semana

Veja +