Redação, Porto Velho RO, 20 de maio de 2026 - A secretária municipal e juíza aposentada Euma Tourinho esteve em Brasília nesta semana para apresentar à Agência Nacional de Aviação Civil um amplo relatório denunciando o cenário crítico enfrentado pelos passageiros do transporte aéreo em Rondônia. Durante reunião considerada uma das mais produtivas dos últimos anos sobre o tema, a representante de Porto Velho detalhou à direção da agência reguladora a combinação de poucos voos, tarifas elevadas e sucessivos atrasos que vêm penalizando os consumidores rondonienses.
O encontro contou com a participação do superintendente da Anac, Adriano Miranda, além de técnicos da agência. Segundo Euma Tourinho, o objetivo foi expor não apenas reclamações pontuais, mas apresentar dados concretos que evidenciam distorções no sistema aéreo regional e o impacto direto das decisões comerciais das companhias aéreas sobre a população do estado.
Os números levados à reunião chamaram atenção pelos valores considerados desproporcionais em trechos regionais relativamente curtos. Levantamento realizado pelo movimento Escudo Coletivo apontou tarifas superiores a quatro mil reais em voos entre as cidades de Rondônia e Cuiabá. Entre os exemplos apresentados estão passagens Ji-Paraná/Cuiabá a R$ 3.743,37, Cuiabá/Ji-Paraná a R$ 4.916,73, Cacoal/Cuiabá a R$ 4.567,83 e Cuiabá/Cacoal a R$ 4.448,65.

O relatório também estabeleceu comparações que reforçam a percepção de desequilíbrio tarifário. Enquanto uma viagem entre Manaus e Brasília, com distância superior a 3,4 mil quilômetros, apresenta passagens em torno de R$ 1,8 mil, trechos muito menores envolvendo cidades rondonienses chegam a custar mais que o dobro do valor praticado em rotas nacionais mais longas e concorridas.
Além das tarifas elevadas, outro ponto considerado grave foi o índice de atrasos registrados nos aeroportos rondonienses. Dados apresentados à Anac indicam que, entre janeiro e junho de 2024, o percentual de voos atrasados em Rondônia superou em quase 240% a média nacional, incluindo ocorrências superiores a quatro horas de espera. A situação, segundo o relatório, afeta diretamente trabalhadores, empresários, pacientes em tratamento médico e estudantes que dependem do transporte aéreo para deslocamentos dentro e fora do estado.
A reunião também debateu a redução da oferta de voos regionais, problema que se agravou nos últimos anos e ampliou o isolamento de cidades do interior. A avaliação apresentada à Anac é de que a baixa concorrência entre companhias e a concentração de rotas acabaram contribuindo para o aumento expressivo das tarifas e para a precarização do serviço prestado aos passageiros.
Ao final do encontro, Euma Tourinho defendeu maior fiscalização da agência reguladora sobre as empresas aéreas e cobrou medidas concretas para ampliar a oferta de voos e reduzir os impactos sofridos pelos consumidores de Rondônia. A expectativa agora é que a Anac avalie os dados apresentados e discuta alternativas capazes de reduzir os gargalos históricos do transporte aéreo regional.
Fonte: noticiastudoaqui.com