Facção criminosa dita regras aos moradores do residencial Orgulho do Madeira, em Porto Velho



 

Diário da Amazônia recebeu a denúncia de que uma facção criminosa estaria ditando regras aos moradores do residencial popular Orgulho do Madeira, zona leste de Porto Velho. Em imagens recebidas pela redação, criminosos teriam colocado uma lista de ordens a serem seguidas pelos residentes nas portas dos apartamentos. Eles ainda ameaçam punir severamente aqueles que não seguirem as regras.

A facção chama o residencial de “favela” e “quebrada” enquanto lista uma série de ordens. Eles exigem que drogas não sejam utilizadas nas escadas ou na frente de crianças, “não mexer com as mulheres dos irmãos que estão presos”, “não estuprar”, “não ‘caguetar‘”, além de pedir que os residentes “cuidem de suas brigas”, pois “espancamento” poderia levar à polícia ao residencial.

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Entre outras regras, os criminosos ordenam que não haja roubos a moradores do residencial, que drogas também não sejam utilizadas em horários de cultos religiosos como forma de respeito.

O “documento”, colocado nas portas dos residentes a partir do dia 1º de novembro, foi assinado por um grupo chamado “Comando Vermelho ODM [Orgulho do Madeira]”, que tem levado diversos moradores ao medo e à apreensão de viver no residencial.

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Em mensagens anônimas recebidas pelo Diário da Amazônia, é possível destacar a preocupação dos moradores. “Eu vou fazer o possível para sair daqui. Eu não mexo com ninguém aqui, vivo de boa com todos, mas é ruim viver assim, se submetendo a bandidos”, declara um residente.

A falta de policiamento frequente é a principal reclamação no conteúdo das mensagens. “Antes, a polícia vivia por aqui, mas agora eles fazem ronda de vez em quando. Então eles [os criminosos] vão tomando força, porque eles não querem a polícia aqui”, lê-se em uma das mensagens.

A apreensão é cada dia maior por causa da falta de policiamento. “[A polícia] falou que ia fazer uma força-tarefa aqui, mas nunca fez. Eu digo uma coisa: pelo o que a gente vê aqui, eles [os criminosos] estão ganhando força”, afirma um residente do Orgulho do Madeira, que teme a falta de segurança, principalmente para aqueles que precisam trabalhar e deixar os filhos em casa.

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No entanto, até para entrar e sair do residencial há grandes dificuldades. “Quase ninguém quer vir pra cá. Até os [os motoristas de] Uber não querem vir”, informa uma das mensagens.

Enquanto os problemas de segurança não são resolvidos e os membros da facção criminosa não são identificados, os residentes do Orgulho do Madeira continuam a sofrer pelo medo. “Deus nos livre se eles descobrem que a gente passa essas coisas [informações]. Eles arrancam nossas cabeças”, conclui um cidadão.

(diariodaamazonia)



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