Depois de doze anos de uma sucessão de injustiças, mpf retira acusação de enriquecimento ilícito de roberto sobrinho
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O ano de 2011 terminou consagrador para o então prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho. Ele concluía o sexto ano de governo, porque fora reeleito depois de uma primeira grande vitória em 2004 e se tornava um dos nomes mais fortes para concorrer ao Governo, na eleição seguinte. No início de 2012, outra excelente notícia: pesquisa do Ibope lhe dava 72 por cento de aprovação, depois de tanto tempo de administração. Sobrinho era o prefeito petista mais popular do país. Tudo mudou no ano seguinte. Em 9 de abril de 2013, faltando apenas oito meses para terminar seu mandato, uma operação espalhafatosa o retirava não só da cadeira de prefeito, como o levava como preso. Começou aí o inferno na vida de um político que tinha grande futuro e que era aplaudido pela ampla maioria da cidade que governava. Desde aquele período, Roberto Sobrinho sofreu um pacote inominável de injustiças. Foi alvo de nada menos do que 25 acusações de desvios de dinheiro público, de uma série de irregularidades, incluindo enriquecimento ilícito até chefe de quadrilha. As denúncias foram fatiadas, de forma que terminava uma e começava a outra. Durante todos estes anos, todas as 25 acusações não foram acatadas pelo Judiciário, senão na primeira instância, foram rejeitados na segunda. Uma delas, feita pelo Ministério Público Federal, denunciava Sobrinho por enriquecimento ilícito. Sua vida foi virada pelo avesso. Vários órgãos de fiscalização se envolveram para descobrir provas contra ele. Agora, 12 anos depois, o próprio MPF pediu o arquivamento do caso, porque se chegou a conclusão que Sobrinho tem patrimônio compatível com sua renda e que não desviou um só real dos cofres da Prefeitura que comandou.
Foram anos de tristeza, pânico, sustos. A vida pública de Sobrinho, em ascensão, foi jogada no lixo. Sem dó e nem piedade. Ele sempre negou qualquer ilicitude nos seus dois governos e acabou gastando o que tinha e o que não tinha com advogados. Depois de tanto tempo, enfim, o entristecido Sobrinho voltou a esboçar os grandes sorrisos que sempre o caracterizaram. Chega aos 65 anos de idade com a certeza de que foi vítima de uma sucessão enorme de injustiças. Nesta semana, ao receber a notícia do arquivamento do caso, o ex-prefeito comentou: “Recebi essa notícia hoje e fiquei muito feliz. Sempre disse dos absurdos que tinham sido cometidos contra a minha pessoa. Esta decisão do MPF confirma que jamais me locupletei do dinheiro público”. E concluiu: “depois de 12 anos, o envolvimento de não sei quantos órgãos de controle, só faltou a Interpol e o Papa, eles chegaram a conclusão de que não sou ladrão e não desviei 1 real da Prefeitura. O MPF entrou com 25 ações contra mim na Justiça Federal e em todas, os juízes consideraram que meus atos como Prefeito estavam corretos”. O caso de Sobrinho não será o primeiro e muito menos o único no país. Quem o colocou nesta situação, continuará trabalhando e vivendo normalmente. A vítima, contudo, levará suas cicatrizes, surgidas em chicotadas diárias dadas pela injustiça, até o fim da sua vida. Uma pena que tenhamos perdido um político bom e trabalhador como o professor petista. Ele poderia ter feito muito mais por Porto Velho e Rondônia, se o tivessem deixado seguir sua carreira pública.
Autor: Sérgio Pires
