Carta ao Leitor



Os mais recentes capítulos do escândalo do Banco Master e o papelão desempenhado pela Procuradoria-Geral da República estão entre os destaques desta edição

Há seis meses, quando começou a pensar numa forma de convencer mais brasileiros a reocuparem as ruas, o deputado federal Nikolas Ferreira não imaginava que acabaria conduzindo uma multidão por 250 quilômetros pela rodovia BR-040 — a pé. A caminhada entre a cidade mineira de Paracatu e a capital federal começou sob o signo do improviso. Nikolas calçava um tênis preto, vestia camiseta branca e, assim como muitos dos poucos que o acompanhavam nos primeiros passos do trajeto, usava uma calça jeans.

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À medida que o número de participantes crescia, ele próprio foi percebendo que as coisas não seriam tão simples — e que era melhor trocar o jeans por um short esportivo. Em 25 de janeiro, quase uma semana depois, enfim chegou ao destino, acompanhado por mais de 50 mil pessoas vindas de numerosos pontos do país. Estava visivelmente exausto. E visivelmente satisfeito. Ele fizera o povo entender que uma simples ideia boa pode despertar o gigante que insiste em permanecer deitado eternamente em berço esplêndido.

A caminhada mostrou pelas estradas e ruas de cidades do interiorzão do Brasil profundo que os brasileiros exigem o país de volta, observa Adalberto Piotto. A multidão de romeiros políticos lembrou a importância de se lutar pela liberdade, acredita Rodrigo Constantino, que evocou uma das frases célebres de Martin Luther King: “Se você não descobre uma causa pela qual valha a pena morrer, é porque você não está pronto para viver”.

Na reportagem de capa, Edilson Salgueiro traça o perfil do jovem político que obteve nas ruas — e nas estradas — o apoio que até então se manifestava de forma extraordinária nas redes sociais, onde seus vídeos somam centenas de milhares de visualizações, e nas urnas. Ele foi o deputado federal mais votado do país em 2022, com quase 1,5 milhão de votos.

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Apesar do inegável sucesso da empreitada, a imprensa velha fez de conta, até o último instante, que nada de relevante acontecia. Eliziário Goulart Rocha destaca que o tema só ganhou espaço quando um fenômeno natural ofereceu a chance de tratar do evento de forma negativa. Muitos jornalistas, incluindo os “especializados”, tentaram atribuir ao deputado a responsabilidade por um raio que atingiu alguns dos presentes.

Oeste acompanhou de perto a caminhada. Durante cinco dias, o repórter Gabriel de Souza e o cinegrafista Gabriel Nery Reis avançaram ao lado dos manifestantes, o que rendeu inúmeras transmissões ao vivo no canal no YouTube, reportagens no site e postagens nas redes sociais. A revista estava lá bem antes do acaso climático. A presença dos repórteres apenas reafirmava o compromisso de mostrar aos leitores e espectadores os fatos como eles são.

Por falar em fatos, Oeste também foi um dos raros veículos que enxergaram desde o primeiro dia a gravidade do caso Master. A reportagem de Carlo Cauti mostra que, depois de bater à porta do Legislativo e fustigar o Judiciário, o escândalo agora se aproxima a passos largos do Executivo.

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O episódio envolvendo o resort em Ribeirão Claro, “que não é de Dias Toffoli”, está cada vez mais parecido com o do sítio em Atibaia, “que não era de Lula”, compara Rachel Díaz. “Está incontrolável”, resume Alexandre Garcia. “A cada dia, mais revelações. Quanto mais se puxam agendas, mais promiscuidade vai aparecendo, mais nomes.”

Apesar das evidências contra ministros do STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, continua fazendo o que pode — e também o que não pode — para blindar a Corte. Como nota Cristyan Costa, o PGR se transformou num mero despachante do Supremo. Eugênio Esber lembra que Raquel Dodge, antecessora de Gonet, foi a primeira a pressentir que algo muito grave acontecia no STF. Há quase seis anos, esses e outros sinais são apresentados a quem lê e acompanha diariamente a programação da Oeste.

Boa leitura.

Branca Nunes

Diretora de Redação

(revistaoeste)




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