Carta ao leitor



A trajetória da Oeste em seis anos de existência

Em 27 de março de 2020, uma sexta-feira, a Revista Oeste nasceu. A reportagem de capa destacava a importância de manter viva a economia num momento em que o país mergulhava no isolamento, no fechamento do comércio e no medo generalizado decorrentes da pandemia de covid-19, oficializada uma semana antes. Já na primeira edição, um pacto foi firmado com os leitores: Oeste nascia com o compromisso de defender o liberalismo econômico, o capitalismo, a meritocracia e a liberdade de expressão — sem concessões.

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Durante a pandemia, outras 13 capas abordaram os efeitos dos lockdowns, que não apenas paralisaram a economia como também separaram famílias e comprometeram de forma quase irreversível a formação de uma geração inteira de crianças em idade escolar. Enquanto Oeste mostrava quem de fato corria maior risco — idosos e pessoas com comorbidades, por exemplo —, boa parte da imprensa preferia o alarmismo, reduzindo a tragédia à contagem dos mortos.

Essa foi a primeira grande bandeira desfraldada pela Revista Oeste. Muitas outras viriam. Os abusos cometidos pelo Supremo Tribunal Federal a partir da instauração do Inquérito das Fake News estamparam 17 capas. Diferentes formas de censura, praticadas pelo poder público ou pela própria imprensa, outras 14. Os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 e as centenas de brasileiros inocentes presos em decorrência desses fatos foram o tema central de 20 edições.

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Três casos se destacam. O primeiro foi a morte de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão. Aos 46 anos, ele estava na penitenciária da Papuda quando sofreu um mal súbito. A verdade é que ele morreu por falta de atendimento médico. Também mereceu destaque o caso de Jean Brito da Silva, de 28 anos. Autista, ele ficou seis meses encarcerado sem entender por quê. Comprovada sua inocência, ele foi solto, mas atado a uma tornozeleira eletrônica. A casa onde Jean mora com a família fica num lixão em Juara, a 650 quilômetros de Cuiabá.

A terceira reportagem, publicada em 28 de março do ano passado, foi escrita por J. R. Guzzo: “A condenação de Débora Rodrigues dos Santos a 14 anos de prisão, por ter escrito com batom as palavras ‘perdeu mané’ na estátua da deusa da Justiça em Brasília, tornou-se um símbolo da situação de selvageria legal em que o país vive hoje”. A defesa da anistia para os envolvidos nesses episódios esteve presente em cinco reportagens de capa — e no documentário Anistia: as histórias não contadas, dirigido por Marina Helena.

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A juristocracia que passou a ditar os rumos do país é, sem dúvida, um dos assuntos recorrentes ao longo desses anos. Nesta edição comemorativa, ela volta à capa, ilustrada pela figura de Gilmar Mendes. Na reportagem, Augusto Nunes mostra como o ministro atua, há mais de uma década, para livrar a cara de comparsas, antigos ou novos.

Nesta semana, ao comemorar-se o Dia Nacional da Constituição, o Supremo voltou a ignorar a Carta Magna. Primeiro, por permitir que, embora o teto salarial de mais de R$ 46 mil deva ser respeitado, seja possível ultrapassá-lo em até 70% com infindáveis penduricalhos. Segundo, ao votar pelo fim da CPMI do INSS.

“Foi pitoresco acompanhar os votos no Supremo em mais uma interferência no Legislativo, impedindo a continuação das investigações sobre o cruel roubo de R$ 6 bilhões das velhinhas e velhinhos da Previdência”, observou Alexandre Garcia. Primeiro, os ministros argumentam que é questão interna do Legislativo, para logo em seguida votarem contra a prorrogação. Depois, afirmam que uma CPI não pode ser prorrogada indefinidamente, mas tocam um inquérito que, se fosse legal, teria 60 dias para investigar, mas já teve 42 vezes esse prazo.

A 1.600 quilômetros de distância dos gabinetes de Brasília, outro drama segue seu curso. No Rio Grande do Sul (RS), centenas de famílias de agricultores enfrentam as consequências de sucessivas estiagens e das enchentes de 2024, que atingiram 478 cidades e deixaram 183 mortos e 25 desaparecidos, além de afetarem a vida de mais de 2 milhões de pessoas. O fantasma do endividamento e o abuso nas condições de pagamento resultaram em pelo menos 36 suicídios de produtores rurais gaúchos nos últimos anos.

Tauany Cattan percorreu o interior do RS e conversou com familiares e amigos de alguns deles. O resultado é uma reportagem especial que expõe um problema que precisa ser resolvido com urgência. Três capas, além do documentário O Rio Grande renasce, abordaram o drama das chuvas — um assunto que Oeste não esquecerá.

O agronegócio, aliás, ocupou outras cinco capas ao longo destes anos e volta a ser assunto nesta edição. Como observa Adalberto Piotto, é hora de o setor se expor mais, participar do debate público e reagir a críticas injustas. Um segmento capaz de alimentar o mundo precisa ter a coragem inerente ao sucesso.

Ao longo de sua história, Oeste tratou de todos os assuntos importantes. Entre eles, a necessidade de uma educação de qualidade — livre de qualquer ideologia —, a revolução provocada pela inteligência artificial, a farsa do aquecimento global, o direito ao uso de armas e uma constatação quase sempre ignorada: apesar de tudo, todos os indicadores mostram que o mundo está melhorando. Mais recentemente, o escândalo do Banco Master e seus tentáculos no STF passaram a estender-se nas páginas da revista.

Em 6 de agosto de 2025, Oeste publicou uma edição especial em homenagem a J. R. Guzzo, que morrera quatro dias antes. Fundador da revista ao lado de Jairo Leal e Augusto Nunes, Guzzo deixou um legado que segue vivo em cada linha que publicamos. Para a redação, foi o dia mais triste destes seis anos.

Nesta edição de aniversário, a capa presta também essa homenagem a Guzzo — é dessa forma que ele gostava: título curto, letra grande e um rostão. Seguimos com a mesma convicção do primeiro dia — e com a certeza de honrar a memória de quem sempre fez jornalismo de verdade.

Boa leitura.

Branca Nunes
Diretora de Redação

(revistaoeste)




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